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Fernanda Oliveira: ‘Qualificação é a menina dos olhos’

Bruno Coelho
22/09/2025 | 08:07
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Divulgação/PMM Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Transformar a Assistência Social em algo além de uma função estritamente assistencialista, por meio de medidas de curto prazo, é o foco do Fundo Social de Solidariedade de Mauá, presidido por Fernanda Oliveira, primeira-dama do município. 

A quebra desse paradigma, segundo Fernanda Oliveira, passa por dar às famílias, em situação de vulnerabilidade social, o seu próprio protagonismo, e a ponte para esse futuro é a qualificação profissional, trabalho expressado em atividades realizadas na Casa de Cursos e na Praça da Cidadania. Em 2021, Mauá qualificou cerca de 500 pessoas, número que pode chegar a 6.000 até o fim do ano. 

RAIO X

DGABC

Nome: Fernanda Gomes Dias de Oliveira

Aniversário: 23 de setembro

Onde nasceu: Santo André

Onde mora: Mauá

Formação: Graduada em Administração pós em Gestão de RH e Psicologia organizacional

Um lugar: A casa dos avós em Minas Gerais

Time do coração: Corinthians

Um livro: Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon

Uma música: O Que É, o Que É?, de Gonzaguinha

Um filme: Milagre na Cela 7, de 2019 dirigido por Mehmet Ada Öztekin

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O que a senhora herdou em 2021 em Mauá e o que a população de Mauá tem hoje de trabalho consolidado no desenvolvimento social?

Quando o prefeito Marcelo Oliveira (PT) assumiu (a função) em janeiro, eu passei a presidir o Fundo Social em abril de 2021. E quando nós entramos, não encontramos nada, a não ser informações que a gente tinha, que eram de entregas de cestas básicas. Mas, não havia nenhum programa ou ação específica. E o que eu pensei a princípio? Eu falei: “Gostaria muito que o Fundo Social não tivesse essa característica de ser somente assistencialista”. Por isso, passamos a trabalhar para que o Fundo Social realmente viesse para assumir o protagonismo das famílias. Desde então, a gente tem buscado isso. E quando a gente fala em assumir o protagonismo das famílias, logo pensa na questão da qualificação, que no meu entendimento e do entendimento do Marcelo, é a maneira da gente mudar mesmo a vida das pessoas. 

Quais foram os primeiros passos para voltar o Fundo Social à qualificação?

Então, aí eu fui pesquisar e a gente viu que em Santo André tinha a Praça da Cidadania. Acho incrível que era a única cidade do meu conhecimento da época que tinha esse tipo de equipamento. Fui lá no Fundo Social (do Estado) de São Paulo para entender como funcionou essa vinda dessa Praça da Cidadania para Santo André para tentar trazer outra para Mauá. E para a nossa alegria, fomos informados que o Estado iria mapear 13 praças em toda Grande São Paulo e Mauá poderia ser contemplada. Saí de lá assim, radiante, super feliz, porque isso vinha ao encontro daquilo que traz a oportunidade de mudar de vida no sentido da qualificação, que é o modelo que a gente entende ser o melhor. Falei com o prefeito, que ficou super feliz e ele falou: “Vamos abraçar então”. Aí logo em seguida recebemos a notícia que Mauá seria contemplada. E procurando um espaço, fomos lá no Jardim Éden, e localizamos um terreno abandonado, usado para uso de drogas, depósitos de lixo, e hoje é a Praça da Cidadania em Mauá.


Acredita que o maior impacto do trabalho desde 2021 seja mudar o conceito do Fundo Social baseado apenas no assistencialismo e virar a chave para projetos de longo prazo visando o futuro da população?

Foi esse o intuito sempre, desde o início. A gente sabe que o alimento é importante, faz ações até hoje, mobiliza a sociedade civil, os empresários para nos ajudarem nessa questão, que entendemos ser prioridade também. Mas temos essa perspectiva de que somente virando essa chavinha da pessoa, ela vai conseguir mudar de vida. Porque o alimento é emergencial, você atende ali, uma semana depois já não tem mais. E outra: tentamos levar a informação para as pessoas, para as famílias, de o quanto é gratificante, o quanto é bom você poder ir no mercado e comprar o que o filho gosta, poder escolher o que quer comprar, o que quer vestir. Buscamos levar isso para essa consciência, essa virada de chave para as pessoas.

Como foi essa expansão dos cursos de qualificação?

A gente tinha em torno de umas 500 pessoas que se qualificavam aqui em Mauá até o fim de 2021. Em 2022, fechamos em torno de 800, em 2023, em torno de 1.300, e em 2024, mais de 1.500 pessoas foram qualificadas aqui no nosso município. O Marcelo sempre foi, como se diz, o idealizador, porque sempre teve essa fala da questão da qualificação e do que a gente poderia fazer para poder ampliar esses cursos. Aí nós começamos a buscar parcerias com igrejas católica e evangélicas, com escolas, então a gente começou a promover cursos em outros lugares. Passamos a ter curso de parceria com a Igreja da Matriz, no Sônia Maria também, onde a gente tem lá o Economia Solidária, no Jardim Mauá, com aulas de gastronomia, e tudo começou a crescer. E daí surgiu a ideia da Casa de Cursos. Nós fechamos a parceria entre a Secretaria de Trabalho e Renda e Fundo Social, para construirmos a Casa de Cursos.


E quais são os cursos oferecidos aqui?

Nós temos corte e costura, manicure, pedicure, tranças, corte de cabelo, maquiagem, gastronomia, oficinas de doces, como morango do amor, que nós fizemos recentemente que foi um sucesso. Temos também cursos de cuidador de idosos, elétrica, administração, RH, diversos cursos. E assim, a gente escuta a população e busca parceiros para poder trazer essas oportunidades e ampliar também o leque dos cursos, com parceiros como Senai, Senac, Sebrae, o Fundo Social de São Paulo também. 

A senhora disse que em três anos, Mauá praticamente triplicou o número de pessoas qualificadas, passando de 500 para 1.500. Com a Casa de Cursos e com a Praça da Cidadania, que são duas ferramentas importantes para ampliar essa projeção, qual a estimativa para 2025?

A estimativa é que a gente triplique. Daí para mais. Na Praça (da Cidadania), recentemente, nós tivemos a visita da Carreta da Capacitação do Fundo Social de São Paulo, que é mais uma oportunidade. Acho que em torno de 6.000 pessoas, porque temos várias frentes hoje. Em 2021, a gente tinha apenas um espaço de qualificação com poucas parcerias, hoje ampliamos isso.

E os cursos da Praça Cidadania são diferentes em relação aos da Casa de Cursos?

São parecidos alguns. Lá (na Praça) tem informática, também gastronomia, alguns cursos que são bem parecidos. E as atividades da Praça Cidadania são diferentes em relação aos cursos praticados. E lá a gente consegue atender a população do Eixo Barão, enquanto pela Casa de Cursos, atendemos aqui o entorno do Vila Magini, Nova Mauá, Cerqueira Leite, o próprio Zaira. Mas tem também uma questão que o prefeito colocou na época, que as pessoas não conseguiam se deslocar para os cursos. Por quê? Muitas vezes as pessoas têm dificuldade, principalmente as mais vulneráveis. 

E quais foram as dificuldades detectadas e as ações para superá-las?

Lá atrás, entre o fim de 2022 e o começo de 2023, a gente começou a sentir que as pessoas não estavam vindo fazer os cursos, porque não tinham condições, não tinham vale-transporte. E aí o prefeito decretou que todas as pessoas que fizessem curso no município tivessem vale-transporte disponível. Então foi também uma forma de potencializar essas pessoas para que elas pudessem fazer os cursos. Naquela ocasião, o único lugar que tinha para qualificação era no Centro. Hoje a gente tem esse pensamento de levar a qualificação para dentro da comunidade, porque é o público que a gente quer atingir. Então por isso que estamos mais perto da população, principalmente a mais vulnerável. 


Há outras ações do Fundo para levar as atividades perto da população mais carente?

Nós fizemos recentemente também um curso de elétrica para as mulheres no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do Macuco. Foi um sucesso. Porque assim, elas estavam super empolgadas e a gente conseguiu levar, nesse formato, o curso próximo da população vulnerável e ao público específico das mulheres.

Mauá é uma cidade complexa com diversos bairros com famílias em situação de vulnerabilidade. É um desafio para a senhora, no dia a dia, lidar com medidas assim de curto prazo, medidas emergenciais, com planejamento de longo prazo?

É sempre um desafio. A gente tem que trabalhar, como a gente falou no início, trabalhar a mente das pessoas para que se encontrem abertas para aproveitar o que o Poder Público oferece, porque há muita coisa boa para oferecer. Só que a gente precisa chegar nessas pessoas. Então montamos estratégias para isso. Temos um projeto que se chama ‘Amor que Alimenta’, em que a gente leva nas regiões vulneráveis ações de todas as políticas públicas que há no município. Então mobilizamos a população vulnerável, principalmente os beneficiários do Bolsa Família, do Cadastro Único, para participar dessas atividades. E nessa ação intersecretariais, e levamos todos os serviços que temos, tanto no Poder Executivo, quanto dos parceiros, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Defensoria Pública, política de proteção das mulheres, a fim de falar sobre a questão da violência (doméstica) e assim identificar uma pessoa que sofre violência, ou alguém do entorno que está sofrendo.

Pode descrever os projetos de maior sucesso, aquilo de maior impacto que o Fundo Social fez de 2021 para cá?

Qualificação para mim é a menina dos olhos. É o que tem mais impacto, é o que mais se fala, eu vejo que é o que promove o protagonismo, que tem o sucesso. Mas nós temos outros, como o Troca Verde, que é um programa que eu tenho um carinho muito especial, que iniciou também pelo Fundo Social e viabiliza políticas de meio ambiente, porque faz a abordagem de educação ambiental onde a gente tem o descarte regular e além da abordagem da educação ambiental onde há o descarte regular, planta e faz o trabalho de conscientização com a população e no fim das contas a gente faz a troca do alimento pelo material reciclado que aquela família arrecadou. Há o Varal Solidário, em que levamos araras, montamos as roupas e a pessoa escolhe a que ela quer. Isso é promover a dignidade para a população.




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