Editorial
FOTO: DGABC

Os números do InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual, expõem a gravidade do trânsito nas rodovias do Grande ABC. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, a Imigrantes e a Anchieta, ambas administradas pela concessionária Ecovias, lideraram os índices de mortes, com 29 e 20 episódios, respectivamente. Somados, os números das duas superam os de outras vias da região e confirmam a vulnerabilidade de motoristas, motociclistas e pedestres que dependem diariamente dessas estradas. O quadro, que inclui ainda centenas de acidentes não fatais, demanda mais do que simples manutenção: exige um planejamento efetivo de segurança viária que reduza riscos e preserve vidas.
Não se pode ignorar que o pedágio cobrado no SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) é o mais caro do País: R$ 38,70 para veículos de passeio desde 1º de julho de 2025. Se há verba em caixa, não deveria faltar margem para investimentos robustos em medidas de prevenção, fiscalização e tecnologia. A discrepância entre a arrecadação e o impacto social das ocorrências reforça a necessidade de contrapartida. Uma concessionária que obtém receita expressiva tem responsabilidade de aplicar parte significativa desses recursos em melhorias capazes de transformar um ambiente de recorrentes tragédias em espaço de circulação mais seguro, algo que as estatísticas demonstram não estar ocorrendo.
A concessionária precisam adotar políticas eficazes, com reforço de sinalização, sistemas de monitoramento ampliados, campanhas educativas e integração com as autoridades de trânsito. A sociedade, que já paga caro para utilizar o SAI, não pode continuar arcando com o custo humano de uma gestão que falha em conter estatísticas crescentes de óbitos. Enquanto o pedágio permanece entre os mais altos, a cobrança legítima que se impõe é por resultados concretos em segurança, que devem refletir-se na redução consistente de acidentes e mortes nas estradas mais movimentadas da região. Pela importância que têm, Anchieta e Imigrantes não podem ganhar o triste estigma de rodovias da morte.
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