Visto vencido Murylo Alves foi detido por agentes da imigração e levado para um presídio na fronteira com o Canadá
FOTO: Arquivo Pessoal

“Estou vivendo um pesadelo do qual não consigo despertar.” Assim, a atendente de restaurante Daniela Alves, 47 anos, descreve os dias que se arrastam desde que seu filho, Murylo Alves, 28, foi detido e levado para um presídio na fronteira com o Canadá. O homem, formado em filosofia, deixou São Bernardo em 2023 ao lado da mãe em busca de uma vida melhor, mas acabou preso nos Estados Unidos há mais de uma semana, em meio ao que ela classifica como “condições desumanas.”
Segundo Daniela, a prisão do filho ocorreu devido ao vencimento do visto há cerca de um ano. Ela destaca, no entanto, que ambos entraram legalmente nos Estados Unidos, com visto autorizado. Murylo foi abordado por agentes de imigração no último dia 8, quando saía para o trabalho na cidade de Milford, em Massachusetts. Ele seguia para Framingham, cidade vizinha onde trabalhava como bartender, quando foi detido.
Ainda de acordo com a mãe, ele passou quatro dias sem dar notícias até conseguir, com a ajuda de outro detento, realizar uma ligação, que durou apenas dois minutos. Murylo estava buscando um emprego formal para iniciar o processo de obtenção do visto de trabalho.
Antes de atuar como bartender, Murylo passou por diferentes empregos nos Estados Unidos. Trabalhou em serviços gerais, ajudou em reformas de casas e também exerceu funções de garçom em restaurantes. “Ele sempre correu atrás do próprio sustento e, mesmo de longe, ajudava o pai, que está no Brasil enfrentando um câncer em estágio avançado”, conta Daniela.
A unidade prisional onde o são-bernardense se encontra é uma das mais rigorosas do país norte-americano, de acordo com a mãe. Ela afirma que o filho está em uma cela pequena, dividida com vários homens, e dorme no chão frio, sem nenhum tipo de colchão ou papelão. “Ele me contou isso em uma ligação rápida. Não consigo dormir, não consigo me alimentar direito, estou vivendo com medo e lutando sozinha por ele.”
Daniela relata que tentou contato com autoridades brasileiras, mas ainda não obteve retorno. Enquanto isso, amigos e familiares se mobilizam para arcar com os custos do processo. “A gente se sente completamente desamparada, como se não tivesse a quem recorrer”, diz.
Para tentar a libertação do filho, ela contratou uma advogada de imigração, ao custo de US$ 5 mil. O caso agora aguarda definição de uma audiência de fiança, mas ainda não há previsão de data.
O último contato feito por Murylo foi ontem, quando avisou que seria transferido para outra prisão, sem saber para onde estaria indo. Desde então, Daniela afirma que não tem nenhuma informação sobre o filho e que perdeu acesso ao número de rastreio fornecido pelas autoridades. “Colocamos no site para saber onde ele está e não funciona mais. A situação só se agrava”, desabafa.
Aos prantos, ela afirma que, se conseguir tirar o filho do presídio, pretende voltar imediatamente ao Brasil. “Só quero libertar meu filho para voltarmos ao nosso País e termos uma vida com dignidade. Até nossa dignidade foi tirada aqui.”
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores informou, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Boston, que permanece à disposição dos familiares de Murylo para prestar a assistência consular cabível. O Itamaraty destacou que o atendimento é feito a partir do contato do próprio cidadão ou de seus familiares, e que a atuação consular segue a legislação nacional e internacional.
O órgão lembrou também que publicou, em junho de 2025, um alerta consular com orientações para brasileiros em viagem aos Estados Unidos.
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