Indefinição A dez dias do prazo para quitar dívida milionária de IPTU, Prefeitura de Santo André ainda desconhece quem pode assumir imóvel abandonado
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

A dez dias do prazo estipulado para o pagamento da dívida milionária do antigo Hospital Jardim, ainda não se sabe quem é o possível comprador do imóvel, fechado e abandonado há 15 anos na Rua das Bandeiras, em Santo André. O nome do interessado foi mantido em sigilo pelos proprietários, e nem mesmo a Prefeitura tem informações sobre quem seria o responsável pela transação e o ‘salvador’ dos atuais donos.
A indefinição acontece após a administração suspender a assinatura da escritura de anticrese, prevista para quarta-feira (17). O acordo de cessão temporária do prédio ao município foi interrompido porque um dos coproprietários apresentou proposta de venda do imóvel a um comprador que se comprometeu a quitar integralmente a dívida de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), de cerca de R$ 10 milhões, até 29 de setembro. Caso o pagamento seja confirmado, o processo judicial que envolve o prédio se encerra.
Em abril, a reportagem do Diário mostrou o avanço da deterioração, o que levou a Prefeitura a intensificar tratativas com os donos. Enquanto isso, moradores e comerciantes do entorno seguem convivendo com a insegurança trazida pelo abandono. Além da degradação estrutural e do risco sanitário com possíveis resíduos hospitalares, o espaço acumula lixo e já foi invadido por dependentes químicos e população em situação de rua. Relatos apontam ainda furtos internos, barulho frequente durante a madrugada e cheiro constante de drogas, fatores que geram apreensão à vizinhança.
O documento que comunicou a administração municipal sobre o novo interessado foi assinado pelo médico Reinaldo Ernani, 74 anos, coproprietário do hospital. Formado pela Faculdade de Medicina do ABC em 1974, ele mantém clínica no bairro Jardim, em Santo André, na área de cirurgia vascular e angiologia.
“Conforme já informado no processo administrativo 7257/2025, há atualmente um interessado em assumir a posse do imóvel e efetivará o pagamento integral da dívida de IPTU em aberto à vista até dia 29 de setembro, o que trará relevante benefício econômico e jurídico para todos os coproprietários e para a própria Prefeitura, garantindo a regularização da situação fiscal e patrimonial, assim como seu uso e manutenção”, diz trecho do documento.
O Diário tentou contato com o coproprietário e autor do documento, mas não obteve resposta até a publicação desta edição.
A Prefeitura afirma que, se a quitação da dívida não ocorrer até o fim do mês, retomará o processo de anticrese, que prevê o uso do prédio pela administração por até 25 anos como forma de abatimento do débito. Nesse modelo, a ideia é abrir chamamento público para empresas privadas interessadas em readequar e ocupar o espaço. Caso não haja interessados, a gestão municipal estuda destinar o imóvel para serviços públicos hoje em prédios alugados, como a Delegacia da Mulher ou o Procon, ou mesmo para atividades acadêmicas da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC).
“Esperamos resolver da melhor forma possível. Mas não podemos aceitar um prédio em meio à cidade com problemas sanitários e de segurança”, afirmou o secretário de Assuntos Jurídicos, Caio Costa e Paula.
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