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Trump defende que emissoras de TV percam licença por criticá-lo

Após a suspensão de Jimmy Kimmel, Trump acrescentou que acreditava ser necessário haver um apresentador conservador de programa noturno de TV

19/09/2025 | 13:46
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FOTO: Official White House Photo/Molly Riley Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos repórteres que acreditava que a FCC (Comissão Federal de Comunicações) deveria revogar as licenças de transmissão dos canais que têm apresentadores de programas noturnos que falam de forma excessivamente negativa sobre ele.

"Eu li em algum lugar que as redes (de televisão) estavam 97% contra mim novamente, 97% negativas, e ainda assim eu ganhei e com facilidade", disse Trump a bordo do Air Force One. "Eu acharia que talvez suas licenças devessem ser retiradas. Isso ficará a cargo de Brendan Carr", o presidente da FCC, acrescentou Trump.

Trump acrescentou que acreditava ser necessário haver um apresentador conservador de programa noturno de TV, chamando as redes de "um braço do partido Democrata." "Olha, isso é algo que também deveria ser discutido para conceder a licença", ele disse. "Quando você tem um canal e você tem programas noturnos, e tudo o que eles fazem é atacar o Trump. Isso é tudo o que eles fazem. Se voltarmos no passado, acho que eles não têm um conservador há anos."

DGABC

Na última quarta-feira (17), a rede de TV americana ABC suspendeu por tempo indeterminado o programa de talk show do apresentador Jimmy Kimmel após ele ter sido criticado por republicanos por relacionar o suspeito de matar o influenciador trumpista Charlie Kirk ao movimento MAGA (Make America Great Again).

Trump comemorou a iniciativa da ABC na rede social Truth Social, escrevendo: "Parabéns à ABC por finalmente ter a coragem de fazer o que precisava ser feito". Ele também criticou outros dois apresentadores de talk show, Jimmy Fallon e Seth Meyers, e disse que eles também deveriam ser cancelados, chamando-os de "dois perdedores completos".

A suspensão de Kimmel ocorre meses após o mesmo acontecer com o programa de Stepen Colbert na CBS. A rede alegou motivos financeiros par o cancelamento, embora alguns críticos questionem se sua postura em relação a Trump teve algum impacto. Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações, havia criticado duramente os comentários de Kimmel em um Podcast.

No fim de agosto, Trump ameaçou revogar as licenças da rede de TV ABC e também da NBC ao reclamar da cobertura das redes sobre seu mandato. O presidente disse na ocasião, sem apresentar provas, que elas seriam um "braço político do partido democrata". O programa Jimmy Kimmel Live está no ar desde 2003. A suspensão deve abrir discussões sobre a liberdade de expressão nos EUA, garantida pela primeira emenda da Constituição americana.

Nos últimos dias, diversas lideranças republicanas têm estimulado partidários de Trump a expor publicamente críticos de Charlie Kirk que teriam celebrado sua morte e pressionando seus empregadores a demiti-los. O deputado Robert Garcia, da Califórnia, o principal democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, disse que iniciaria uma investigação sobre o governo Trump e a ABC.

Como os republicanos controlam a Câmara, Garcia terá poder investigativo limitado e não poderá emitir intimações para obter depoimentos ou materiais. Mas seu anúncio oferece um vislumbre de como os democratas estão agindo rapidamente para responder à extraordinária pressão política do governo Trump sobre uma emissora de televisão.

O presidente republicano do Comitê de Fiscalização da Câmara e seu principal democrata disseram que "trabalhariam juntos" para trazer Brendan Carr para testemunhar no Congresso. O acordo veio depois de outro democrata, o deputado Ro Khanna da Califórnia, tentar sem sucesso forçar uma intimação de Carr, um indicado de Trump. (Com informações de agências internacionais).

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