Artigo
FOTO: DGABC

O SUS (Sistema Único de Saúde) representa a vitória de décadas de mobilização popular em defesa do direito à saúde. Celebrar seus 35 anos é, antes de tudo, celebrar a vida, pois sem ele restará a barbárie.
Com mais de 3,5 milhões de profissionais o SUS é sustentado diariamente por pessoas focadas em cuidar da vida. São médicos, enfermeiros, agentes comunitários, técnicos, motoristas, gestoras e demais envolvidos. É uma força nacional que atua em todos os municípios nos rincões das matas, das águas e sertões bem como nas periferias metropolitanas.
A construção do SUS é, um processo contra hegemônico, é fruto da resistência à exclusão e da luta por dignidade. Celebrar o SUS é rememorar a luta do povo brasileiro. No pós-guerra, enquanto a Inglaterra, Noruega, Dinamarca entre outros estruturavam seus sistemas públicos de saúde, o Brasil ainda enfrentava uma oligarquia racista contrária à garantia de direitos. A construção do SUS é, portanto, um processo contra hegemônico, é fruto da resistência à exclusão e da luta por dignidade.
A minha vida em Mauá foi marcada por essa história. Somos filhos dessa luta. Nos anos de 1970, ainda adolescente, já via minha mãe e tantas outras mulheres se organizarem por saúde pública. Lembro bem de relatos de pessoas sem acesso ao antigo INPS humilhadas em filas de casas de caridade, vacinas escassas, atenção primária inexistente, alta mortalidade infantil.
Sim! Somos herdeiros desses visionários – trabalhadores, estudantes, agentes pastorais, militantes – que, nos campos e nas cidades, empunharam a bandeira da saúde como direito de todos e dever do Estado.
Comemorar os 35 anos do SUS é também afirmar, com orgulho, que “a vida presta”, como disse Fernanda Torres em seu discurso no Oscar. Eu digo, a vida vale a luta, e o SUS é o principal instrumento que temos para protegê-la.
Com 212 milhões conectados. O SUS Brasil é a maior rede pública de saúde do planeta, reconhecido por dois dos melhores programas: i) a estratégia de saúde de família; e, ii) o sistema público de transplantes.
Mesmo sob cortes orçamentários e tentativas de privatização, o SUS resistiu. Hoje amargamos as sequelas da pandemia e dos retrocessos democráticos que, por pouco, não destruíram tudo o que foi construído com tanto suor, mas seguimos vivos, atentos e mais fortalecidos.
Mais de 70% das famílias brasileiras dependem exclusivamente do SUS. É dever de todos honrar e fortalecer a luta por saúde garantindo o SUS cada vez melhor para todos, hoje e sempre.
O SUS é do povo brasileiro. E seguirá sendo. Viva o SUS, viva a democracia, viva o Brasil.
Rômulo Fernandes é deputado estadual pelo PT.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.