Tarifaço é a justificativa Anúncio desagradou entidades ligadas à indústria e ao movimento sindical brasileiro
FOTO: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juros da economia (Selic) em 15%. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17), depois de uma reunião de dois dias entre o presidente do BC (Banco Central) e seus diretores.
No comunicado oficial, o Copom justifica a manutenção da Selic pela incerteza do ambiente externo, “em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos”.
O que, segundo o comitê, exige cautela “por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.
Também é citado o cenário doméstico. Para o Copom, os indicadores de atividade econômica apresentam “moderação no crescimento”, apesar do “dinamismo” do mercado de trabalho, e a inflação permanece acima da meta.
“As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência”, diz a nota do Copom.
A decisão gerou diferentes reações de economistas, centrais sindicais e entidades empresariais. A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) entende que manter a taxa de juros em 15% ao ano foi uma medida correta.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse que a decisão do Copom é “injustificada”. Para a entidade, é uma demonstração de “postura excessivamente conservadora”, quando há sinais favoráveis do quadro inflacionário e do desaquecimento intenso da atividade econômica.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) entende que a Selic em um “patamar elevado” prejudica a população e não combate efetivamente a inflação.
Em post nas redes sociais, a Força Sindical entende que a manutenção da taxa demonstra que a política monetária “continua se curvando aos especuladores, em detrimento ao setor produtivo, que gera empregos e renda”.
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