Esquema fraudulento Colégio de presidentes da entidade no Grande ABC destacou como agem os criminosos com o objetivo de evitar que mais vítimas caiam no esquema
FOTO: André Henriques/DGABC - Hisayuki Matoba com sua filha Marina Marie Matoba

O colégio de presidentes das subseções da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Grande ABC se reuniu na subseção de Santo André na manhã de ontem com advogados e a imprensa para alertar a sociedade sobre um crime de estelionato que vem ocorrendo com frequência: o golpe do falso advogado.
O objetivo é conscientizar a população para evitar que mais pessoas caiam nesse tipo de golpe. No esquema, os criminosos obtêm informações de processos em andamento e se passam por advogados reais, induzindo a vítima a acreditar que está falando com o profissional contratado para representá-la na Justiça.
Os golpistas informam às vítimas que a ação judicial teve desfecho favorável e, para liberar os supostos valores a receber, exigem o pagamento de taxas de desbloqueio ou despesas judiciais. Processos que envolvem indenizações, especialmente nas áreas cível e trabalhista, são os principais alvos. No entanto, os casos em fase final são os mais visados pelos criminosos.
O conselheiro estadual e vice-presidente de prerrogativas da OAB/SP, Eduardo Ferrari, disse que foram identificados aproximadamente 3.500 golpes no Estado neste ano. Entretanto, acredita-se que este número é subnotificado e que deve ser dez vezes maior.
“O estelionatário é ardiloso, ele tem o poder de convencer e ainda tem acesso a informações verdadeiras nos autos, por isso as pessoas abordadas caem”, pontuou Ferrari. Os golpistas utilizam a fotografia do advogado, mas o número é diferente. “Os contatos costumam ser pelo WhatsApp e a maioria age por organização criminosa, não individualmente”, apontou.
A entidade montou uma força-tarefa para identificar fraudes e evitar novos golpes. A OAB orienta clientes a prestarem atenção em alguns detalhes, como número do telefone que entrou em contato e dados bancários, para confirmar se a identidade do advogado é verdadeira.
Estiveram presentes os presidentes das subseções de Santo André, Leonardo Dominiqueli; de São Caetano, João Paulo Borges Chagas; de Mauá, Ádrima Galvano; e de Ribeirão Pires, Nilton Cézar da Costa.
Ádrima destacou que está disseminando as informações no colegiado mauaense para diminuir o número de fraudes. “Estou orientando os advogados a comunicarem seus clientes e especificarem em contrato qual o número de telefone que entrará em contato com eles”, disse. A presidente ressaltou que também estão coletando informações sobre cada caso para que possam identificar o modus operandi dos golpes e evitá-los.
João Chagas, de São Caetano, destacou a importância de conhecer as variações do esquema. “Sabendo como ocorre, todos podem ficar alertas, até porque hoje é esse golpe, mas daqui a pouco eles mudam a estratégia e estão enganando de outra forma”, afirmou o presidente da subseção de São Caetano.
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