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Zema diz que STF age politicamente sobre pena a Jair Bolsonaro

Governador de Minas Gerais reafirma pré-candidatura ao Planalto e admite vantagem a postulante que receber apoio do ex-presidente

Bruno Coelho
16/09/2025 | 20:08
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FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Pré-candidato declarado à presidência da República em 2026, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou, durante visita em Santo André, que a pena de 27 anos e três meses de prisão aplicada pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado, é “desmedida” e que os ministros agiram de forma política. O chefe do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, admitiu que quem receber o espólio bolsonarista será beneficiado na corrida presidencial. 

Durante almoço com empresários, em evento organizado pelo LIDE Grande ABC no restaurante Baby Beef Jardim, Zema atribuiu as condenações a Bolsonaro e outros sete réus, na última quinta-feira (11), a uma perseguição política. A maior crítica do governador mineiro foi quanto à dosimetria aplicada nas sentenças aos declarados culpados pela trama golpista e aos envolvidos no ato de 8 de janeiro de 2023, que resultou na invasão e depredação na Praça dos Três Poderes, em Brasília. 

“Considero o julgamento quase que uma perseguição política, uma pena desmedida com algumas pessoas referente aos atos de 8 de janeiro. Sou contrário a vandalismo, a depredação de patrimônio público, mas a pena aplicada não foi essa. Sou totalmente contra um golpe de Estado, mas não tivemos golpe aqui, sem nenhum tiro disparado, nenhum movimento armado. Então, considero a pena totalmente desmedida e claramente temos uma Justiça muito mais política do que seguindo a lei”, disse Zema.

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Apesar das considerações, o pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo Novo admitiu que dificilmente Bolsonaro terá condições de reverter o quadro de inelegibilidade. O ex-presidente já estava sem condições se candidatar a um cargo eletivo por oito anos, contados a partir das eleições 2022, depois da decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em junho do ano seguinte, pela prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, durante reunião no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros, ao tentar desacreditar, sem qualquer prova, a integridade das urnas eletrônicas.

Bolsonaro ainda vê sua situação eleitoral se agravar, visto que uma vez sentenciado a 27 anos e três meses de prisão, o tempo fora das urnas eletrônicas pode ser ampliado. Isso porque a Lei da Ficha Limpa estabelece que quem for condenado, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado – se enquadra o STF –, a inelegibilidade por oito anos passa a se aplicar após o cumprimento da pena. No caso do ex-presidente, a punição se estenderia entre 2060 e 2061, se não ocorrer alguma mudança até lá. 

Nesse cenário, Zema avaliou que a tendência é que o ex-presidente se veja obrigado a apontar um sucessor para herdar seu espólio político na próxima disputa eleitoral. “Provavelmente, não teremos mais a candidatura de Bolsonaro. Mas vejo que os candidatos da direita vão absorver (a base bolsonarista). Talvez aquele que tiver o apoio dele, pode absorver mais essa herança e ter um ganho extra ”, pontuou.

Romeu Zema também defendeu a proposta de anistia, que beneficiaria Bolsonaro, em debate na Câmara Federal, como forma de pacificar o Brasil em meio à polarização política. 

Governador mira ataques ao PT

Em discurso no Lide Grande ABC, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), mirou ataques ao PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário praticamente certo pela corrida ao Palácio do Planalto em outubro de 2026. Durante a fala, o futuro presidenciável afirmou que o Brasil caminhava para ser uma Venezuela no fim do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016, e comparou sua gestão no Estado ao antecessor Fernando Pimentel (PT), a quem fez duras críticas.

Zema apresentou um balanço comparativo entre a sua gestão e a de Pimentel, citado como “governo do PT”. O governador disse que recebeu Minas Gerais “de joelhos” financeiramente e em termos de credibilidade. Afirmou que 853 prefeituras ficaram sem repasses de tributos estaduais e a administração anterior não pagou os bancos por empréstimos consignados a 240 mil servidores públicos, entre outros dados.

“O governo do PT atraiu, em quatro anos para Minas Gerais, R$ 26 bilhões de investimentos privados. Já atraímos mais de R$ 500 bilhões. Isso aqui é dinheiro até para um País, imaginem para um Estado”, discursou.

Zema garantiu que manterá os planos de candidatura ao Planalto até o fim, com intuito de fortalecer as chapas de deputados estaduais e federais do Novo. O mineiro afirmou acreditar na união de governadores de direita, em um segundo turno contra Lula. Além dele, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, são possíveis nomes para eleição. 

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