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Região deixa de vender R$ 81 milhões aos EUA no primeiro mês do tarifaço

Apesar da sobretaxa, embarques totais do Grande ABC tiveram em agosto o melhor resultado desde 2022

14/09/2025 | 09:14
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FOTO: Official White House Photo by Joyce N. Boghosian Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Afetadas pelas tarifas de até 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros, as exportações do Grande ABC para os Estados Unidos caíram 24,6% em agosto ante o mesmo mês do ano passado, com o volume enviado recuando de US$ 61,7 milhões para US$ 46,5 milhões nesta comparação. Trata-se do pior resultado para o mês desde 2020, quando o comércio global praticamente parou devido à pandemia de Covid-19. Com isso, as empresas dos sete municípios deixaram de vender US$ 15,2 milhões aos norte-americanos, ou R$ 81,4 milhões pela cotação de sexta-feira.

Na comparação com julho, quando os embarques somaram US$ 68,7 milhões, o recuo é ainda mais expressivo, de 32,3%, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), compilados pelo Diário. Nesta análise, a perda de receita soma US$ 22,2 milhões, ou R$ 119 milhões.

Porém, o impacto da sobretaxa imposta pelo presidente norte-americano ao comércio com os EUA não impediu as exportações totais da região de registrarem em agosto o melhor resultado para o mês desde 2022 (veja tabela). As vendas ao Exterior somaram US$ 541,6 milhões, montante 27,1% superior ao apurado no mesmo mês do ano passado (US$ 426,2 milhões). No acumulado de janeiro a agosto, os embarques de produtos dos sete municípios cresceram 18,2% ante igual período de 2024, para US$ 4,052 bilhões.

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Como o Diário antecipou em julho deste ano, quando o tarifaço de Trump foi anunciado, os setores de cobre, armas e máquinas figuram entre os que mais exportam para os EUA no Grande ABC e, por isso, foram os mais impactados pela sobretaxa. Segundo o MDIC, os embarques de máquinas recuaram 73% em agosto ante o mesmo mês do ano passado, de US$ 21,9 milhões para US$ 5,9 milhões. Na mesma comparação, as vendas ao exterior de cobre e suas obras caíram 60%, de US$ 21,7 milhões para US$ 8,7 milhões, e as de armas e munições diminuíram 43%, de US$ 10,3 milhões para US$ 5,9 milhões.

O impacto do tarifaço sobre as exportações para os Estados Unidos tende a se acentuar, uma vez que a medida entrou em vigor no dia 6 de agosto e houve antecipação de embarques nos primeiros cinco dias do mês para evitar a sobretaxa, o que não será observado no resultado de setembro.

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A aplicação de taxas de até 50% para grande parte das exportações brasileiras aos Estados Unidos ficou conhecida como tarifaço. Antes de sua entrada em vigor, o governo Trump deixou de fora cerca de 700 produtos, como suco de laranja, combustíveis e aeronaves comerciais e seus componentes. A lista de exceções, porém, praticamente não contempla os principais itens da pauta exportadora do Grande ABC.

O presidente norte-americano usou como justificativa o tratamento dado pelo Brasil a Jair Bolsonaro (PL), que Trump considera ser perseguido pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Como, na última quinta-feira, a 1ª Turma da suprema corte condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o governo teme que Trump aplique novas sanções econômicas ao Brasil.

Apesar de o impacto do tarifaço ser considerável, a perda de receita nas vendas para os Estados Unidos representou em agosto só 2,8% do total exportado pelo Grande ABC. Isso ocorre porque, no mesmo mês, os EUA responderam por 8,8% da pauta exportadora dos sete municípios, bem atrás dos 46,5% demandados pela Argentina, que é importante comprador de veículos e autopeças da região. Outros importantes parceiros do Grande ABC são Chile (7,4%) e México (6,6%).

“Aquelas empresas que estão mais concentradas nos Estados Unidos certamente vão se sentir mais. Porém, o Grande ABC, de maneira geral, tem forte penetração em outros mercados. Então, podem ocorrer impactos pontuais, mas essa diversificação ameniza (o tarifaço) do ponto de vista geral”, comentou Ricardo Balistiero, economista e professor do Núcleo de Negócios do Instituto Mauá de Tecnologia.

Sandro Maskio. professor de Economia da Strong Business School, ressaltou que há uma expectativa “superestimada” do tarifaço sobre a economia brasileira e, por extensão, da região. “Vai afetar um pedaço do PIB (Produto Interno Bruto) que é muito pequeno. Do ponto de vista agregado, o efeito ocorre, mas é marginal. Nada que seja catastrófico”, disse, ressaltando que os embarques de veículos – principal pauta exportadora do Grande ABC – para os EUA são quase inexistentes.

Maskio destacou, porém, que ainda é muito cedo para avaliar o impacto exato da sobretaxa. “É preciso considerar que o tarifaço começou no início de agosto e foi anunciado com alguma antecedência. Com isso, houve razoável esforço dos exportadores para embarcar as exportações aos EUA antes da vigência.”

Balistiero não acredita que o governo Trump vai impor sanções adicionais ao Brasil devido à condenação de Bolsonaro. “(Trump) vai usar a condenação para continuar a fazer o discurso político, mas não acredito que venham sanções econômicas adicionais, até porque quem está pagando essa conta é o consumidor norte- americano (por conta do aumento da inflação), não o brasileiro.”

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, considerou positivas as medidas do Plano Brasil Soberano, lançado pelo governo federal, que prevê linhas de crédito, extensão do regime de drawback e contrapartidas para manutenção de empregos, mas avalia que os esforços precisam ser ampliados, especialmente no âmbito estadual.




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