De volta ao cenário político Ex-prefeito está criando grupo político para apresentar projeto voltado a São Bernardo
FOTO: André Henriques/DGABC

Ex-prefeito de São Bernardo, William Dib (PSB) está de volta ao cenário político do Grande ABC após ter disputado as eleições de 2024 como vice na chapa do petista Luiz Fernando Teixeira ao Paço são-bernardense. Apesar do retorno, Dib não pretende concorrer a nenhum cargo no pleito do próximo ano. Está abrindo um escritório político em São Bernardo com o objetivo de formar um novo grupo e desenvolver um projeto voltado à reconstrução da cidade. A proposta também visa contribuir com o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do País como um todo.
Em entrevista ao Diário na sexta-feira (12), William Dib manifestou uma visão distinta da de José Dirceu (PT) sobre o cenário eleitoral paulista para 2026. O ex-ministro da Casa Civil afirmou recentemente ao jornal que “seria um sonho uma chapa formada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Fernando Haddad (PT)”. Dib, no entanto, diverge. Para o ex-prefeito, Alckmin ganhou projeção nacional com sua atuação diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, mas pondera que a formação da chapa ideal não deveria se restringir à dobradinha PSB-PT, que atualmente governa o País.
“A postura fez com que Alckmin voltasse a ser, em um Estado importante como o nosso no aspecto econômico e financeiro para o País, um grande nome para disputar o governo estadual. Quanto à chapa, acho que abrir o leque e aglutinar outros partidos é algo que deve ser pensado. Pode agregar, fortalecer a chapa. Entendo que o Haddad merece coisa maior do que ser vice”, afirmou.
SÃO BERNARDO
Para Dib, São Bernardo se encontra em uma situação orçamentária bastante delicada, com a desindustrialização e a redução da arrecadação. “São fatos e não vemos projetos para mudar esse cenário. A situação piorou agora com a instabilidade política na gestão. Isso vai afetar, com certeza, a prestação de serviço daqui a um tempo. Entendo que tenho a obrigação de trabalhar para formar um grupo de pessoas que ajudem a alterar isso. Não está nos meus planos ser candidato a deputado estadual ou federal, até porque já fui. Agora quero contribuir ajudando outras pessoas”, destacou.
O ex-prefeito disse que hoje a polarização da política está prejudicando não apenas os políticos, mas a população, principalmente os mais carentes. Para Dib, hoje sobra a política dos mais privilegiados e falta a política para os mais necessitados na questão da saúde, educação e segurança.
“Não podemos perpetuar com essa polarização que é o ruim com o pior. Então, acho que é meu papel conciliar, agregar valores. É isso que pretendo fazer com esse grupo, que ainda está na fase do diálogo.”
TARCÍSIO
William Dib falou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) era a esperança de pacificação do País, independentemente de partido, porém, segundo o pessebista, o governador optou pela postura radical de defender a anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – condenado a 27 anos e 3 meses por liderar a tentativa de golpe – e atacar a Justiça.
“Ele buscou a polarização e não é isso que estamos precisando. Necessitamos de um líder que crie conciliação, agregue valores e tenha projeto de País. Ele escolheu o lado, mas no Brasil tudo é possível. Perdeu-se o senso, o pudor, a isenção. Perdeu-se tudo”, disse William Dib, sobre Tarcísio adotar outras posturas até as eleições.
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BOLSONARO
O ex-prefeito destacou que a condenação do ex-presidente não surpreendeu ninguém por duas questões: a primeira que o próprio Bolsonaro pede anistia de uma ação passiva de ser contextualizada como crime, obrigando o julgador a concordar que ele fez; a segunda, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu que o Brasil e o STF (Supremo Tribunal Federal) precisam mudar.
“Não há julgamento possível quando se ameaça a verdade. Acha que seria possível os juízes mudarem de opinião porque o Trump pediu? Acabariam com a carreira deles e com o Brasil. O resultado era fava contada. Discordo da dosimetria (das penas), mas sou apenas cardiologista e não entendo de leis. Porém, não acredito na prisão dele. Creio que vá para prisão domiciliar. Dependendo de quem ganhar para presidente da República, em 2 de janeiro (2027) tem indulto. Se não acontecer isso, mudo de nome”, finalizou.
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