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Sem imprensa, não há direitos humanos, diz jornalista internacional

Enviada especial ao Oriente Médio entre 2016 e 2019, docente da Metodista fala sobre mortes de profissionais do conflito na Palestina

13/09/2025 | 08:45
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 “Quando se mata um jornalista em guerra, o recado dado é que a população vai sofrer em silêncio e na invisibilidade.” A frase sobre as mortes de jornalistas durante o conflito entre Israel e Palestina é da professora de jornalismo internacional da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) e jornalista enviada especial ao Oriente Médio entre 2016 e 2019, Cilene Victor.

Desde o início da guerra em 2023, o CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas) registrou 192 óbitos de profissionais – dado divulgado em agosto. O número torna-se ainda mais impactante quando comparado com outras disputas armadas. De acordo com a entidade, as mortes contabilizadas são maiores que a junção das duas guerras mundiais (69) e do conflito na Ucrânia (19).

Em trabalhos para a TV Cultura e TV Gazeta, a professora Cilene Victor esteve em campos de refugiados no Irã, Iraque, Líbano e Turquia. Apesar de não estar na cobertura nas zonas de guerras, a jornalista vivenciou o impacto dos conflitos e os dramas das famílias afetadas. “Sempre entrevistei as vítimas das guerras. Cubro os ciclos de vidas dos conflitos e o sofrimento humano em larga escala. Dessa forma, vi que a cobertura sobre o Oriente Médio era tratada como algo pequeno. O drama dos refugiados era muito mais grave do que acompanhamos aqui. Um trabalho marcante foi em 2018, quando fiz a viagem para o Líbano, que na época era o país com maior número de refugiados per capita”, disse a professora.

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Os casos retornaram aos noticiários após um ataque de Israel, no dia 25 de agosto, ao Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza. Os dois bombardeios resultaram no falecimento de cinco jornalistas.

Em relação às mortes dos profissionais no território palestino, a especialista analisa que a quantidade é subnotificada. “Quando vamos ao site do Al Jazeera (organização global de notícias do Catar), vemos que os dados falam de 270 óbitos de profissionais. Essa quantidade não chama a atenção, visto que em sua maioria são jornalistas locais, tratados como subcategoria. Não discutir a gravidade desses acontecimentos é uma escolha moral”, explicou a docente.

De acordo com a professora da Metodista, essas situações são geradas pela banalização do assassinato contra um povo e da cobertura dos acontecimentos no Oriente Médio. “Não interessa que sejam jornalistas, porque já houve uma indiferença em mortes de crianças, de mulheres e bebês dentro de maternidade”, ressaltou.

Para ela, esses casos são uma maneira de silenciamento intencional. “No mundo, atualmente há mais de 120 conflitos armados. Nessa questão, o jornalista é fundamental, porque são os olhos da sociedade e guardiões dos direitos humanos. Onde não há imprensa, não há observação desses crimes e, sem dúvidas, há violação dos direitos humanos e civis de forma muito mais perversas”, afirmou Cilene.

“Em 2022, antes do início oficial da guerra, Israel atacou uma agência de notícias na Palestina. Acredito que o recado é eliminar a imprensa e vedar os olhos do mundo para o que acontece em Gaza”, concluiu a jornalista.




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