Editorial
FOTO: DGABC

Duas construções emblemáticas de Santo André podem finalmente voltar a ter relevância para o urbanismo e a sociedade após anos de abandono. O Moinho São Jorge, localizado na Avenida dos Estados, será levado a leilão para quitar dívidas milionárias de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), enquanto o antigo Hospital Jardim, fechado há década e meia no bairro de mesmo nome, poderá ter posse transferida temporariamente ao município por meio de contrato de anticrese. Essas iniciativas representam oportunidades de devolver utilidade a imóveis que marcaram a história da cidade e que, atualmente, permanecem degradados e inúteis, sem oferecer qualquer benefício social.
O abandono de prédios de grande porte impõe sérios impactos. Estruturas ociosas se tornam pontos de insegurança, sujeitas a invasões, depredações e riscos sanitários. Além disso, a falta de manutenção compromete a paisagem urbana, reforça a sensação de descuido e deprecia o entorno, afetando tanto moradores quanto comerciantes. Outro aspecto relevante é a perda de arrecadação, já que imóveis improdutivos deixam de gerar atividade econômica, o que limita investimentos públicos e reduz a circulação de serviços na região. Com o passar dos anos, o vazio funcional de construções imponentes também mina o sentimento de pertencimento da população e enfraquece vínculos culturais.
A possibilidade de reaproveitamento desses dois espaços icônicos abre caminho para novas funções de interesse coletivo. No caso do hospital, há expectativa de que o prédio seja adaptado para abrigar serviços municipais ou até atividades acadêmicas ligadas à UFABC (Universidade Federal do ABC). Já o Moinho São Jorge pode atrair investimentos ligados à construção ou à logística, setores que ampliam empregos e dinamizam a economia. A reocupação desses imóveis, portanto, não apenas resgata parte da memória andreense, como também sinaliza oportunidade de recuperação de áreas estratégicas que estavam imobilizadas, estimulando desenvolvimento e reforçando a identidade urbana.
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