Editorial As dificuldades enfrentadas pelo Rio de Janeiro com a concessionária de energia elétrica Enel expõem alerta que deve ecoar também em São Paulo. Em solo fluminense, o Ministério Público Federal questiona judicialmente a renovação do contrato, apontando manipulação de indicadores, falhas recorrentes no fornecimento e omissões na fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica. Some-se a isso a multiplicação de queixas da população. Desconfia-se de que a empresa se beneficia de brechas regulatórias para maquiar a real extensão dos apagões. Em meio a esse cenário, a recomendação é que os critérios de avaliação sejam revistos e que o prolongamento do contrato não seja automático, já que o desempenho está aquém do esperado.
Na Região Metropolitana da Capital paulista, que integra o Grande ABC, o debate deve ganhar o mesmo peso. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem feito críticas públicas à atuação da concessionária, sustentando que a ausência de investimentos em manutenção e modernização da rede está diretamente ligada à fragilidade do serviço. Indicadores oficiais de qualidade, segundo ele, permitem ajustes que acabam mascarando a experiência real dos consumidores, que convivem com demoras no restabelecimento da energia. A promessa de investimentos por parte da empresa não anula histórico de precariedade. São Paulo repete o cenário de insatisfação que já levou o Rio a questionar judicialmente a continuidade da concessão.
Diante disso, caberia às cidades paulistas se mobilizarem para reivindicar da Enel mudanças efetivas no padrão de atendimento, compatíveis com a relevância social e econômica da região. Caso a companhia não apresente avanços concretos, a alternativa seria articulação política abrangente, reunindo prefeitos, parlamentares e governo estadual, a fim de pressionar pela não renovação do contrato em 2028. A experiência do Rio mostra que a mobilização pode alcançar instâncias decisó-rias em Brasília e abrir caminho a nova licitação. Trata-se, portanto, de escolha estratégica: exigir que a concessionária cumpra plenamente sua função ou preparar a substituição do operador, evitando que serviço essencial permaneça sujeito a falhas recorrentes.
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