Entrevista da Semana Frente progressista na disputa pelo governo deve ter chapa com Alckmin e Haddad
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A análise da conjuntura política feita pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) reacendeu o debate entre vereadores e lideranças políticas do Grande ABC. Na avaliação, divulgada com exclusividade pelo Diário na segunda-feira (8), Dirceu projetou chapa para o governo do Estado formada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). A declaração dividiu opiniões: enquanto alguns consideraram como um sinal de inteligência e sagacidade, outros a interpretaram como um discurso conveniente.
O ex-prefeiturável de Santo André Eduardo Leite (PSB), quarto colocado na eleição do ano passado, discordou de Dirceu e se mostra contrário à composição projetada. “O melhor nome, não apenas do PSB, mas do campo progressista para o governo do Estado de São Paulo é o de Márcio França (ministro do Empreendedorismo). O Geraldo (Alckmin) está muito bem como vice-presidente da República e, na minha opinião, deve permanecer assim, por sua lealdade e competência.”
Na Entrevista da Semana, o ex-ministro ainda rebateu declarações recentes do chefe do Palácio dos Bandeirantes, que afirmou conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) caso venha comandar a Presidência.
O pessebista andreense também ponderou sobre a fala do governador com relação ao indulto. “Tarcísio deveria focar nos problemas do Estado de São Paulo, foi para isso que foi eleito”, afirmou.
Já o vereador de São Caetano Jander Lira (PSB), perguntado sobre a avaliação de Dirceu em relação à conjuntura política para o pleito estadual, disse concordar com o ex-ministro. Parafraseando Antônio Carlos Magalhães, ex-senador pelo Democratas (BA), Jander afirmou que José Dirceu, “independentemente de sua posição ideológica, deu uma entrevista extremamente lúcida, com sinceridade e sagacidade, qualidades para um político coerente”.
O vereador de São Caetano também avalizou as críticas do petista a Tarcísio de Freitas. “Acho que desacreditar da Justiça é coisa de tirano”, pontuou.
O colega de parlamento, Américo Scucuglia (PRD), tem opinião divergente e trouxe à tona o passado do ex-ministro, que chegou a ser condenado nos processos do Mensalão e do Petrolão, mas, com as penas anuladas pela Justiça anos depois. “A retórica de Dirceu parece mais uma tentativa de ressuscitar velhos fantasmas para manter viva a narrativa de que só a esquerda pode salvar o Brasil. Trata-se do lobo dando palestra sobre segurança no galinheiro.”
O vereador de Diadema Josa Queiroz (PT) confirmou que o posicionamento de José Dirceu sobre o cenário pré-eleitoral no Estado traz “lucidez neste momento em que estamos atravessando e diante da polarização que temos visto.” O parlamentar destacou que faltam reflexões como as do ex-ministro com posicionamento e propriedade, as quais terão “impacto muito grande no processo (eleitoral) do ano que vem.”
Procurados, os prefeitos Marcelo Oliveira (PT), de Mauá, e Akira Auriani (PSB), de Rio Grande da Serra, não se manifestaram até o fechamento da edição.
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