Movimento Imóvel no Centro foi ocupado pelo MLB, que pede destinação da área para construção de moradias populares
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A Prefeitura de Diadema considera o ato promovido pelo MLB (Movimento de Luta nos Bairros), no domingo, dia da Independência do Brasil, uma “invasão, organizada por movimento político articulado”.
A manifestação da administração municipal trata, por meio de nota, da ocupação irregular a imóvel particular na Rua Oriente Monti com a Avenida Alda, no Centro. O prédio, que por anos abrigou um hospital, há pelo menos uma década passa pelo processo de abandono e deterioração.
Segundo as lideranças do movimento, que tem sede na Rua Comandante Che Guevara, em uma favela de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, 200 famílias estão assentadas de forma precária no edifício diademense, o que representaria cerca de 800 pessoas, entre idosos, PcDs (Pessoas com Deficiência), mulheres, homens e crianças.
A tese de que há objetivos políticos na tomada do imóvel se fortalece quando analisado o histórico do grupo. Em janeiro, segundo apurou o Diário, integrantes do MLB protestaram na Prefeitura de Diadema.
A equipe do recém-empossado prefeito Taka Yamauchi (MDB) recebeu os manifestantes e ouviu as reivindicações. O grupo pedia a construção de aproximadamente 180 moradias populares. A administração municipal comprometeu-se a destravar processos burocráticos, para que fossem construídos os imóveis em um terreno da Prefeitura, com recursos obtidos pelo movimento junto a bancos públicos e outros entes federativos.
Várias etapas do processo estariam adiantadas, mas o grupo não teria apresentado o projeto-base de construção, com isso, as tratativas cessaram.
Marcio Alves dos Santos, um dos coordenadores da chamada Ocupação Palestina Livre, afirmou que o movimento tem objetivos sociais. “O MLB pretende com essa ocupação que esse prédio seja desapropriado e destinado para moradia popular.”
O imóvel, sem ligação de energia elétrica regular e abastecimento de água, teve portas e janelas de andares baixos concretadas para afastar usuários de drogas que tomaram o local, o que não impediu que o grupo entrasse.
Santos, segundo apurou o Diário, tem laços com lideranças do Movimento Olga Benário, grupo responsável por invadir imóvel particular em área nobre de São Caetano em novembro do ano passado. A propriedade foi desocupada após decisão judicial em março.
Os mesmos grupos recebem apoio de partidos de esquerda e atuam de forma articulada em defesa da Palestina, território do Oriente Médio atualmente em conflito com Israel.
No local, o MLB disse estar montando uma creche e uma cozinha comunitária, além de cobrar da Prefeitura a reforma do imóvel e adaptação para moradias, mas leis municipais não permitem, uma vez que o prédio foi projetado para hospital e tem licenças especiais.
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