Deteriorados Prefeituras localizam cerca de 4.000 veículos sucateados nos primeiros oito meses do ano
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

As prefeituras da região notificaram 3.923 veículos abandonados em vias públicas entre janeiro e agosto deste ano. O número representa um aumento de aproximadamente 36% em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram registrados 2.887 automóveis em estado de deterioração.
A média mensal é de cerca de 490 carros identificados nas ruas, considerando cinco municípios do Grande ABC. Do total registrado em 2025, 1.691 veículos foram retirados das vias, seja por meio de ação da fiscalização ou por iniciativa dos próprios proprietários.
A quantidade de notificações pode ser maior, já que Ribeirão Pires informou apenas o total dos automóveis já autuados e recolhidos. Rio Grande da Serra foi o único município que não realizou contagem, pois o Executivo aprovou ainda recentemente, em 22 de agosto, a Lei de número 2.656 que decreta o recolhimento de veículos abandonados ou sucateados nas ruas (leia mais ao lado). Já Mauá não enviou os dados até o fechamento da matéria.
De acordo com as prefeituras, o aumento nas notificações está diretamente relacionado ao fortalecimento das ações de fiscalização. Diadema foi o município que registrou o maior crescimento no número de ocorrências no período analisado. Entre janeiro e agosto de 2024, foram contabilizados 565 automóveis abandonados. Já em 2025, o total saltou para 1.330 veículos localizados nessas condições.
A Prefeitura disse que são executadas “ações de vistoria em toda a cidade, principalmente em locais ‘viciados’ para descarte de veículos”, conclui a nota.
O abandono de veículos nas ruas pode provocar uma série de problemas ambientais e urbanísticos. Segundo Enio Moro Junior, gestor do curso de Arquitetura e Urbanismo da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e especialista em reciclagem urbana e planejamento territorial, a presença de veículos sucateados em vias públicas vai além da poluição visual.
“Esses automóveis contêm diversos componentes químicos que, ao se decompor com o tempo, acabam gerando impactos negativos ao meio ambiente. Além disso, podem acumular água parada e se tornar criadouros de vetores de doenças, como o mosquito da dengue”, alertou o professor.
Ainda segundo o especialista, as causas do abandono são diversas e envolvem tanto aspectos mecânicos quanto legais. “Um dos fatores é o alto custo de manutenção, que em muitos casos supera o valor de mercado do próprio carro”, completou.
Após a notificação oficial, caso o proprietário não retire o veículo no prazo estipulado, o carro pode ser removido para o pátio municipal, além de gerar multas e taxas. Em Diadema, a penalidade prevista é de R$ 2.680. Em São Bernardo, o valor é de R$ 837,47. As demais administrações ainda não estipularam valores fixos para esse tipo de infração.
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