Setecidades Titulo Memória

Assunta Ritucci. Centenária. De presente, uma crônica. São suas memórias. Escritas pelo neto. Ambos revivem a velha Vila...

Professor Mauricio Cecatto oferece à Memória do Grande ABC um estudo que pode fazer escola

Ademir Medici
08/09/2025 | 04:00
Compartilhar notícia
FOTO: Divulgação
FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


DEFINIÇÃO

A memória e o seu significado: o passado não é o que passou. É o que ficou. O passado que passou é o esquecimento. O passado que ficou são as lembranças, é a vida.

Professor Alexandre Takara - Orientador desta página Memória

DGABC

TOMBOLA

A festa da Boa Viagem (Memória, dia 3) - Muito bom ver o termo que minha nona usava nas tardes/noites de sábados, a tombola. As cartelas, com os números a serem sorteados, eram de um tipo de papel grosso e os números cantados marcados com feijões ou milho. Bons tempos.

Vanderlei Retondo - Cronista andreense

É um longo relato, de muitas páginas, temperado com o que Paulo Thompson, o historiador britânico, ensina sobre memória oral.

Professor Cecatto reúne gostosamente lembranças que ouviu em longas e prazerosas conversas com a avó, Assunta Helena Constantina Ritucci dos Santos.

A avó Assunta nasceu às 6h20 da manhã do dia 18 de agosto de 1925 num casarão do século XIX, ao lado da Matriz de São Bernardo.

Morou sempre na eterna Villa, entre a Rua Marechal Deodoro e o vizinho bairro Nova Petrópolis. Da biografia escrita pelo neto Cecatto, elegemos as histórias que seguem. 

Estamos sugerindo que dona Assunta e o professor Maurício participem do 16º Congresso de História do Grande ABC, marcado para novembro na Biblioteca Monteiro Lobato, a três ou quatro quadras de onde nossa memorialista nasceu, há um século.

Maurício articula tão bem o artigo que teremos oportunidade de citar outros trechos, em épocas como o Natal, festas antigas locais, tempos de colheita, época das flores.

Os textos seguintes são do professor Mauricio.

AS FESTAS

Na Praça da Matriz, a Assunta esperava com alegria as festas de São Bernardo em agosto, Santo Antônio em junho e Nossa Senhora da Boa Viagem em setembro. 

A venda da família fervilhava de gente, com um movimento intenso. Água, refrigerantes, balas e doces esgotavam-se a todo momento. 

O relógio da venda foi presente dos padres da Matriz em reconhecimento às doações da família para uma destas festas.

O TRABALHO

A família Ritucci era sinônimo de trabalho em equipe. Assunta também observava o engarrafamento do vinho Fracalanza. Seu avô adquiria os tonéis do Sul, e seus pais, junto com toda a família, dedicavam-se ao engarrafamento e rotulagem. Momento de alegria e união, onde todos contribuíam para a produção do vinho.

A MÃE

A casa da Assunta, sempre movimentada, pois a mãe, Virgínia, era benzedeira e recebia presentes como animais, frutas e doces, em um ciclo de generosidade e fé.

Nota da Memória – Dona Virginia viveu até os 107 anos. Quando completou 100 anos, foi ouvida por esta página Memória e fotografada pelo João Colovatti. Na oportunidade, Dona Virgínia nos benzeu.

CAMINHO DO MAR

Nas noites quentes, as cadeiras eram dispostas na calçada da Rua Marechal Deodoro. A família ali conversava e observava o fluxo de veículos que subiam e desciam o “caminho do mar”.

Via Anchieta? Nem pensar.

A ESCOLA

A educação formal da Assunta, menina, se deu no Colégio São José. Cultivou grande carinho por muitas freiras, principalmente Madre Celina. 

Nas peças de teatro, a presença dos tios

de São Paulo a enchia de alegria (especialmente quando interpretou o Dunga da Branca de Neve!). 

As amigas Norma Miele e Palmira Pedron, que compartilhavam as carteiras duplas, são lembranças queridas.

    

Crédito das fotos 1, 2, 3, 4 e 5 – Mauricio Cecatto (reproduções)

ASSUNTA. No quintal da Rua Marechal Deodoro, um espaço mais que um simples jardim, um universo vibrante, uma horta generosa, árvores frutíferas variadas, o forno à lenha, um poço de água cristalina, um galinheiro e coelhos que povoavam o ambiente

DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO

Domingo, 7 de setembro de 1975 – Edição 2845

MOVIMENTO SINDICAL – Metalúrgicos discutiam o valor do salário pago no Grande ABC: categoria reivindicava aumento de 22,4%.

SÃO BERNARDO – Cidade da Criança desencantava, já não era a cidade dos brinquedos inaugurada em 1968.

MÚSICA – Jornalista Paulo Klein entrevistava Gilberto Gismonti: “Não quero mais o mofo e o pó, a cicatriz vertendo suor, traições e clarins na manhã, ao som dos sinos de metal”.

EM 8 DE SETEMBRO DE...

1905 – Estação Rio Grande (da Serra) programava mais uma festa em honra a São Sebastião. 

Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo recebia o livro “As Vilas do Norte de Portugal”, de Alberto Sampaio.

1940 – Início do segundo turno da Divisão Intermediária da Liga de Futebol do Estado de São Paulo.

NOTA DA MEMÓRIA – Naquela fase de transição entre o amadorismo e o profissionalismo, a região tinha o maior número de participantes da história num campeonato de relevância: de Santo André, Primeiro de Maio e Corinthians; de São Bernardo, EC São Bernardo e Palestra; de São Caetano, São Caetano EC e Cerâmica.

1955 – Câmara de Santo André autorizava a Prefeitura a receber, em doação, uma área de quase 5 mil m2 da Sociedade Imobiliária de Santo André, a ser repassada à associação patrocinadora da Casa da Esperança.

1965 - O DOPS (Departamento de Polícia Política e Social) prendia 178 universitários na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), em São Bernardo, o que impediu a realização de congresso da UEE (União Estadual de Estudantes).

2015 - Morria André Avelino Coelho, ex-secretário municipal de São Bernardo, governo Geraldo Faria Rodrigues (1973-77), quando criou o jornal oficial “Notícias do Município”.

Advogado, Dr. André atuou também nas Prefeituras de Diadema e Mauá.

MUNICÍPIOS BRASILEIROS

No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Buritizal, Descalvado, Itaquaquecetuba (1560), Mirassol (1910) e Nipoã.

Aniversariam duas capitais: Vitória, do Espírito Santo, fundada em 1551; e São Luís, no Maranhão, fundada em 1612.

Também aniversariam: em Minas Gerais, Bom Sucesso (1736), Diogo de Vasconcelos, Francisco Sá; em Pernambuco, Exu (1907); no Amazonas, Eirunepé; no Rio Grande do Sul, Estância Velha; em Santa Catarina, Mafra; no Piauí, Nazaré do Piauí; em Goiás, São Francisco de Goiás; no Amapá, Vitória do Jari. 

HOJE

Dia Internacional da Alfabetização

Dia Nacional da Luta por Medicamentos.

Natividade de Nossa Senhora

8 de setembro

Nove meses depois de comemorar a Imaculada Conceição da Virgem, a Igreja celebra a festividade do seu nascimento.

Ilustração: Canção Nova




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;