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Alfabeto do amor

Anabela Tombolato
04/09/2025 | 09:26
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Lembro-me de quando tinha uns 6 anos: minha mãe me levava para a escola em um dia de chuva. Ela carregava uma toalha, um par de meias e meus sapatos. Eu caminhava de chinelos. Quando chegamos à porta da escola, ela secava meus pés e colocava as meias e o sapato seco, para me proteger do frio e de um possível resfriado, esses cuidados que, aos meus 6 anos, eu não entendia o peso, me faziam sentir protegida. 

Segundo Gary Chapman, em seu livro As 5 Linguagens do Amor, elas são: palavras de afirmação, tempo de qualidade, dar presentes, atos de serviço e toque físico. São belas e verdadeiras, mas quando o assunto é o “amor de mãe” isso parece, de repente, um esboço simplista.

O amor que nasce no útero, transcende qualquer lista. Ele é um idioma próprio, amor de mãe é uma linguagem universal. Embora seja universal, cada mãe o expressa de forma singular: umas são duras, mas ensinam resiliência; outras são carinhosas e transmitem segurança; umas falam pouco, mas seu abraço cura. 

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Quando as mães dizem “você é lindo(a)”, “você consegue”, “acredito em você”, não só falam: você sente esse incentivo. Isso vem do coração; é um feitiço para blindar o filho contra as dúvidas do mundo. Quantas dessas “sementes de confiança” uma mãe planta? Incontáveis, regadas com paciência e sabedoria.

Amor materno não exige merecimento. Surge nos primeiros instantes que se sabe estar gerando um ser; instinto que transforma a mulher em uma leoa. Esse amor é teimoso: resiste às birras, aos desencontros da vida adulta, às rugas do tempo.

Uma mãe é capaz de transformar um simples cafezinho com bolo quentinho em cerimônia de amor; suas roupas cheirosas e passadas.

Mãe tem um radar: leve o guarda-chuva, pegue uma blusa. Se você respira fundo, ela pergunta: está com dor?. Se sorri demais, acha que esconde algo; muito silêncio, está com problemas. Anos depois, descobri que mães falam em código.

“Leve o guarda-chuva” quer dizer “eu te protejo”; “jeve uma blusa” significa “não quero que sofra”; e quando repetem “você consegue” mesmo depois de quedas, é porque carregam dentro delas um “mapa das nossas asas” antes mesmo que saibamos voar.

Ser mãe é transformador. Aquelas prioridades que pareciam tão sólidas. O cuidar de si, seus interesses, gostos refinados, o lazer planejado… subitamente perdem o brilho. Não desaparecem, mas são reposicionados. 

Os gregos cunharam uma palavra especial para o mais alto dos amores: “Ágape”. É o amor puro, altruísta, incondicional, que busca o bem do outro. É o amor que doa sem calcular, que se esgota para nutrir, que encontra alegria no simples fato de amar.

O amor materno não se contenta em falar cinco linguagens. 

Ele inventa dialetos. 

Anabela Tombolato é professora.




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