Ex-presidente De lados opostos, autora da proposta Nina Braga e Ananias Andrade acusam munícipes de ofensas em sessão, gerando tumulto e voz de prisão
FOTO: Reprodução/Instagram

Uma moção de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desencadeou bate-boca, nesta quarta-feira (3), na Câmara de São Bernardo. Após sugerir a homenagem, a vereadora Nina Braga (PL) acusou uma munícipe de chamá-la de “golpista” e “safada”, recebendo a seguir o apoio de Luiz Henrique Watanabe (PRTB), pedindo voz de prisão à mulher. Logo depois, o parlamentar Ananias Andrade (PT) foi em direção a outra pessoa, alegando que foi chamado de “maconheiro”. Ambos os manifestantes negaram as ofensas e ninguém foi preso.
Quando a sessão aparentava calmaria, pela primeira vez neste ano sem projeto do Executivo para ser analisado em plenário, Nina Braga conseguiu as assinaturas necessárias para colocar o requerimento em regime de urgência à votação. A parlamentar alega que Bolsonaro é alvo de perseguição política, ao mesmo tempo em que o ex-presidente é julgado no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília, por participação na tentativa de golpe de Estado após os resultados das eleições de 2022.
Depois do embate com Ananias, crítico ferrenho a Bolsonaro, a vereadora, de costas ao auditório, ouviu em alto e bom som as palavras “golpista” e “safada”. Imediatamente, a liberal se virou, pegou o celular e fez um vídeo selfie. Em seguida, recebeu apoio de Watanabe, que quis dar voz de prisão à munícipe Inês Cristina de Castilho, que negou o direcionamento de tais palavras à pessoa da liberal, e sim ao requerimento apresentado, ao ser interpelada por assessores da parlamentar.
Nina Braga cobrou da GCM (Guarda Civil Municipal) que requeresse os documentos de Inês, abordada minutos depois. A manifestante recebeu apoio de vereadores petistas, como a presidente da Casa, Ana Nice, e de Ananias, que discordaram da medida. Em seguida, o petista cobrou a mesma postura dos agentes a outro manifestante, o caminhoneiro Elton Militão, presente no auditório com gritos contra o parlamentar, acusado de apoiar a Marcha da Maconha, entre outras críticas.
Segundo Ananias, Militão o teria chamado de “maconheiro”, situação negada pelo caminhoneiro, sob justificativa de que apenas havia citado o apoio do vereador ao movimento por causa de uma publicação na página do petista, defendendo o tratamento medicinal da cannabis. No fim, a sessão foi encerrada com muito bate-boca e sem o requerimento de apoio a Bolsonaro votado.
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Governo segura Plano Diretor, aguardado para o fim de agosto
Com envio à Câmara de São Bernardo projetado para agosto pelo próprio governo, o Plano Diretor segue sem data para chegar às mãos dos vereadores. A legislação, crucial para o desenvolvimento urbano ao longo de uma década, não é atualizada desde 2011, ainda no governo Luiz Marinho (PT), hoje ministro do Trabalho e Emprego. O Paço garantiu que a redação está em fase final de elaboração para encaminhamento ao Parlamento.
A discussão sobre o novo Plano Diretor chegou ao plenário no segundo semestre do ano passado, na gestão do ex-prefeito Orlando Morando (sem partido). Entretanto, a propositura gerou polêmica e foi rejeitada no Legislativo, devido à mudança no texto que permitiria a ocupação urbana em área de preservação ambiental, abrindo espaço para a construção de galpões logísticos no pós-Balsa.
Justamente para não repetir os erros do passado recente, o vereador e líder de governo Julinho Fuzari (Cidadania) justifica a cautela. “Acredito que o governo deva fazer mais uma audiência para o Pós-Balsa. E ao chegar no Legislativo, iremos convocar uma audiência pública para depois ser avalizado pelos vereadores. Estamos aguardando, mas não existe prazo”, disse.
O Paço de São Bernardo informou que trabalha para o projeto atender às necessidades coletivas da população.
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