Comunidade São Joaquim Religioso suíço dedicado em ajudar o próximo viveu por 32 anos em Rio Grande da Serra, comunidade pede beatificação
FOTO: André Henriques | DGABC

A comunidade católica de Rio Grande da Serra se reuniu nesse sábado (30) pela manhã no Cemitério Municipal para prestar homenagem póstuma ao padre Giuseppe Pisoni. O religioso suíço, que manteve-se firme em sua profecia de fé por 32 anos na cidade do Grande ABC, teve o mausoléu reformado. A estrutura que abriga o despojo mortal do sarcerdote, falecido em 21 de janeiro de 1987, aos 80 anos, ganhou um tapete com sua imagem, uma escultura entalhada em madeira e um mosaico com representando sua face.
Em celebração de ação de graças presidida pelo diácono Aparecido Batista do Santos, os fiéis a amigos do fundador da Comunidade São Joaquim, instalada por Pisoni na Vila Lopes em meados de 1970, lembraram a vida do religioso, que para muitos é considerado um “homem santo”.
Dedicado às causas sociais, o padre sempre trajando batina preta e sandálias nos pés, com recursos financeiros doados pelo clero da Suíça, Pisoni, segundo seu amigo, Paulo Afonso Cardoso, “construiu casas, comprou remédios e distribuiu alimentos, roupas e cobertores aos menos favorecidos”, contou emocionado.
A devoção ao cristianismo, e a vocação social construíram a história de Pisoni. “A infinita bondade do padre”, segundo os mais fiéis seguidores, o rendeu diversos episódios de violência física.
Em busca de dinheiro ou bens de valor, criminosos quando nada localizavam, agrediam o religioso. A imagem retratada no mosaico em seu mausoléu com um dente faltando, é resultado de um destes ataques.
Cardoso contou que as doações eram revertidos para a comunidade. “Nunca comi carne na casa do padre. Ele se alimentava exatamente dos mesmos itens que eram doados. Não achava justo comer algo diferente daquilo que não poderia oferecer”, rememorou.
Em 1982, Pisoni com ajuda de Cardoso comprou um terreno e construiu um galpão. No local 30 máquinas de costura foram colocadas. Mulheres em vulnerabilidade social produziam peças e as vendiam para o próprio sustento.
Helena Rodrigues, lembrou com da convivência com o padre. “Ele sempre estava com sorriso no rosto e olhar sereno. Vi ele tirar um cobertor da própria cama para ajudar uma mulher que blasfemava.”
José Saturnino dos Santos, contou que em meados da década de 1970, sua mãe estava doente e pediu ao padre que realizasse a unção dos enfermos. No distante caminho até a casa da matriarca o sacerdote disse: “filho meu, estou orando para que um carro passe para chegarmos mais ligeiro. Em poucos segundos um veiculo encostou e nos levou até minha mãe. Até hoje não sei de quem era, a pessoa sumiu”, contou. Após a bênção, o padre afirmou: “filho meu, sua mãe não vai morrer ainda”, segundo Sartunino, ela viveu por mais dez anos.
A comunidade de Rio Grande da Serra busca entre os seguidores do padre relatos de possíveis milagres para que ele seja beatificado e possa ser canonizado santo. Abaixo-assinado reúne cerca de 5.000 rubricas. O pedido já foi encaminhado à Diocese. Procurada, a curia da Igreja Católica no Grande ABC não respondeu sobre o andamento dos pedidos dos fiéis.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.