Conscientização O cigarro é a droga que mais gera dependência, de acordo com especialista, e principal causador de câncer de pulmão, segundo a OMS
FOTO: Celso Luiz/DGABC

No Grande ABC, 1.322 moradores estão em tratamento para abandonar o tabagismo, considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a principal causa de morte evitável no mundo. Para conscientizar a população sobre os riscos do fumo, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) instituiu, em 1986, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado nesta sexta-feira (29).
Além de ser a principal causa de câncer de pulmão, segundo a OMS, o tabagismo está relacionado a tumores em outros órgãos e à diversas doenças respiratórias, como enfisema pulmonar, bronquite crônica e pneumonia. O medo de desenvolver uma dessas enfermidades levou o aposentado Jeferson Pezzo, 62 anos, a procurar ajuda após fumar por quatro décadas. Ele iniciou o tratamento na UBS (Unidade Básica de Saúde) Baeta Neves, em São Bernardo.
“Um primo meu, por causa do cigarro, precisa carregar o balão de oxigênio para todos os lugares. Ele não tem liberdade para ir até a esquina sem. Isso me impactou muito e decidi me tratar para não chegar neste estágio. Antigamente, ninguém falava que faz mal para a saúde, era visto como algo bonito. É difícil, às vezes dá vontade de fumar, mas desvio a atenção e não dou oportunidade para o cigarro ficar na minha cabeça”, afirma Pezzo.
A coordenadora técnica da UBS Baeta Neves, Alessandra Lazzarete, destaca que o cigarro de tabaco é a droga com maior capacidade de viciar. “Há pessoas que conseguem deixar a cocaína e o crack, mas não deixam o cigarro. E muitos nem percebem que são viciados, porque o cigarro é uma droga legalizada”, afirma.
Segundo ela, recaídas são comuns no processo, e muitos pacientes retornam ao tratamento até quatro vezes. “O acolhimento é essencial. Não julgamos ninguém, entendemos que é um processo difícil”, reforça Alessandra.
As UBSs da região oferecem tratamento gratuito para quem deseja abandonar o cigarro. Os interessados podem se inscrever diretamente nas unidades, sendo posteriormente encaminhados para grupos terapêuticos com cerca de 20 participantes. O tratamento inicial dura três meses, podendo ser estendido por até um ano para manutenção.
No momento, aproximadamente 200 moradores fazem tratamento em Santo André, 250 em São Bernardo, 422 em São Caetano, 43 em Diadema, 179 em Mauá e 228 em Rio Grande da Serra. Ribeirão Pires não informou os dados.
“Começamos com sessões motivacionais. Na terceira, introduzimos a medicação que ajuda na síndrome da abstinência e, em sete dias, é colocado o adesivo que libera nicotina no corpo”, explica o farmacêutico da UBS Baeta Neves, Felipe Jun Dantas Higuchi.
Durante o tratamento, os pacientes são orientados a definir suas motivações e escolher uma data para parar de fumar.
A aposentada Lucia Marta da Silva, 57, já chegou na unidade de saúde, em 2022, determinada a deixar o vício no mês de agosto daquele ano, quando o falecimento de sua filha completaria 18 anos. Durante o processo, perdeu ainda sua mãe, mas nem o luto a tirou do foco.
“O cigarro nos rouba os melhores anos da vida e pode nos impedir de continuar vivendo. Não foi fácil, mas não quero mais saber disso. Vi muitos benefícios, minha pele melhorou e agora tenho dinheiro para cuidar de mim. Antes, tudo ia para o cigarro”, conta.
O aposentado Airton Farias de Carvalho, 65, ressalta a melhora da disposição. “Não conseguia andar e agora consigo subir uma ladeira. Parei por causa do meu neto, queria poder pegá-lo no colo, sem ter cheiro de cigarro”, conta. Para Vicente de Paula, 78, tratar o tabagismo se tornou uma luta pela vida. “O médico disse: ou você para ou vai andar com um balão de oxigênio e morrer em breve.”
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