Queimaduras Trata-se de uma anta (Tapirus terrestris), fêmea adulta, resgatada na noite de sexta-feira (21), em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema
FOTO: Divulgação

O Governo de São Paulo registrou o primeiro caso oficialmente notificado de animal silvestre vítima de incêndio florestal em 2025. Trata-se de uma anta (Tapirus terrestris), fêmea adulta, resgatada na noite de sexta-feira (21), em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema. O animal está em tratamento intensivo na Apass (Associação Protetora de Animais Silvestres), em Assis.
O resgate foi realizado por brigadistas do Parque Estadual Morro do Diabo, administrado pela Fundação Florestal, em parceria com a Polícia Militar Ambiental. A anta foi encontrada debilitada e com ferimentos graves dentro de um açude em meio a um canavial. Para levá-la até Assis, cerca de 180 km distante, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) disponibilizou caminhão e motorista, garantindo transporte seguro durante a noite de 22 de agosto.
De acordo com a Apass, o animal apresenta queimaduras de 1º, 2º e 3º graus em aproximadamente 70% do corpo, perdeu totalmente a visão e teve uma das orelhas comprometida. Apesar da gravidade, a anta se alimenta e bebe água por conta própria.
“Estamos dedicando cuidados intensivos para garantir conforto e qualidade de vida, mesmo sabendo que não será possível devolvê-la à natureza. O tratamento envolve analgesia, antibióticos, anti-inflamatórios e manejo das lesões. O apoio dos órgãos parceiros foi essencial para que esse resgate fosse realizado”, afirmou Natália Tomaz Inácio de Godoy, diretora executiva da Apass.
A suspeita é de que os ferimentos tenham sido causados pelo incêndio ocorrido em 17 de agosto, no Parque Estadual Morro do Diabo. Isso significa que a anta ficou pelo menos cinco dias ferida, sem atendimento, até ser encontrada no açude. O caso reforça os impactos das queimadas sobre a fauna e a necessidade de integração entre órgãos ambientais, entidades de proteção animal e sociedade civil.
Segundo Liliane Milanelo, coordenadora de Gestão dos Cetras da Semil, “o resgate mostra a importância da atuação conjunta de brigadistas e Polícia Militar Ambiental, além do papel fundamental de instituições como a Apass no acolhimento e tratamento de animais. Também evidencia a necessidade de que todos os Cetras mantenham suas notificações atualizadas na plataforma do Estado, permitindo respostas rápidas a eventos críticos que ameaçam a biodiversidade paulista.”
Atualmente, a rede estadual conta com 30 Cetras credenciados: quatro especializados em fauna marinha e 26 aptos a receber animais vítimas de incêndios florestais. Em 2024, foram registrados 94 resgates relacionados a queimadas, dos quais 53 não sobreviveram, dois foram reabilitados e devolvidos à natureza, e os demais seguem em tratamento. Só na Apass de Assis, 48 animais foram atendidos, com 19 óbitos registrados, demonstrando a importância da estrutura estadual para responder a emergências ambientais.
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