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Pelo caos à hegemonia

Dagoberto Lima Godoy
26/08/2025 | 09:04
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Há bastante tempo cogito que a crise brasileira não se deve apenas à incompetência do governo Lula na condução da economia. A sucessão de erros, abusos e decisões controversas parece seguir uma lógica mais profunda. Lembro-me do que fizeram os bolcheviques em 1917: sem maioria popular ou força institucional aparente, assumiram o poder explorando o caos econômico, político e social, valendo-se de disciplina partidária férrea e de cálculo tático implacável. Não será exagero perguntar se o petismo – em aliança com setores da esquerda e grupos oportunistas – não estaria, à sua maneira, tentando algo semelhante.

A analogia pode soar ousada, mas os elementos que a sustentam estão à vista. O Brasil atravessa retrocesso econômico e instabilidade institucional e, longe de se empenhar em corrigir rumos, o governo parece tirar proveito da confusão. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal, outrora guardião da Constituição, converteu-se em protagonista de um ativismo sem freios, restringindo liberdades e perseguindo opositores. O discurso oficial insiste na defesa da democracia, mas o que se observa é um cerco crescente à liberdade de expressão e a criminalização da dissidência política.

A situação brasileira não replica a Rússia de 1917. O roteiro é mais próximo do chavismo na Venezuela: tribunais cooptados, opositores judicializados, economia conduzida ao colapso até que a sociedade aceite uma solução autoritária como mal menor.

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O agravante está na dimensão internacional. As sanções já impostas pelos Estados Unidos – sob a justificativa de violações à liberdade de expressão e perseguições políticas –, somadas ao desgaste da imagem brasileira perante a comunidade internacional, não apenas marginalizam o país diplomaticamente, mas também impõem custos concretos à economia. E, ainda assim, o governo instrumentaliza esse desgaste, apresentando-o como ataque à soberania nacional e insistindo – sobretudo nas falas do presidente – em realimentar a desavença, como quem “cutuca onça com vara curta”.

A essa atitude belicosa soma-se o descaso de ministros do STF diante das desastrosas consequências do eventual descumprimento da Lei Magnitsky, reforçando a impressão de que há, de fato, um propósito estratégico de construção do caos.

O risco é claro: a ordem democrática brasileira pode ser corroída por dentro, num processo intencional de destruição econômica e erosão institucional.

A pergunta que se impõe é se a sociedade brasileira terá lucidez e força para resistir antes que seja tarde – ou se repetirá, em nova roupagem, a velha história de um país conduzido ao autoritarismo em nome da própria democracia.


Dagoberto Lima Godoy é engenheiro civil, advogado especialista em direito coletivo do trabalho e empresário.




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