Editorial
FOTO: DGABC

A noite de sábado em Santo André deixou claro que a prática criminosa de soltar balões não pode mais ser tratada como algo folclórico ou inofensivo. O incêndio de grandes proporções no bairro Campestre, que exigiu 14 viaturas do Corpo de Bombeiros e provocou sérios danos a galpões e risco direto a residências na vizinhança, expôs o tamanho da ameaça. Outro foco, registrado na Rua Sumaré, reforça a dimensão do problema. Se ninguém se feriu, foi apenas por sorte. O Grande ABC não pode se conformar em viver sob constante risco em razão da irresponsabilidade de grupos que agem de forma clandestina e sem qualquer preocupação com as consequências de seus atos.
As autoridades precisam romper com a postura de condescendência que ainda cerca esse crime. Baloeiros não são adolescentes inconsequentes brincando com fogo, mas sim responsáveis por episódios que colocam em perigo vidas, patrimônios e serviços essenciais. O aumento expressivo no número de residências sem energia elétrica em decorrência da prática, que saltou mais de 135% no primeiro semestre, comprova que os impactos vão além das perdas materiais. E se o alvo fosse um hospital? A garagem de uma empresa de ônibus? A Petroquímica? O problema afeta a coletividade, exige mobilização policial eficiente e investigação rigorosa, com punição exemplar aos envolvidos.
A população do Grande ABC não pode continuar refém da negligência diante de uma prática que já tem tipificação clara no Código Penal e deveria resultar em responsabilização imediata. A quantidade de balões no céu ao mesmo tempo – 11, segundo a Prefeitura de Santo André – sugere orquestração. A promessa de punição precisa se materializar em ações concretas, para que os responsáveis sejam localizados e punidos sem demora. É hora de abandonar discursos e avançar em medidas de inteligência, fiscalização e aplicação da lei. Só assim a região deixará de depender do acaso para evitar tragédias e poderá ter a certeza de que noites como a de sábado não se repetirão.
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