Desde 1967 Santo André, São Caetano, Diadema e Mauá concentram 1.481 profissionais; famílias mantêm vivo o legado da profissão por gerações
FOTO: André Henriques/DGABC - Hisayuki Matoba com sua filha Marina Marie Matoba

Hoje é celebrado o Dia do Feirante, data que homenageia os profissionais que fazem parte da rotina das cidades com suas barracas cheias de cores, sabores e tradição. No Grande ABC, esses trabalhadores movimentam 146 feiras livres distribuídas entre Santo André, São Caetano, Diadema e Mauá, oferecendo alimentos frescos e contato direto com a comunidade de terça a domingo. Ao todo, são pelo menos 1.481 feirantes em atividade nessas quatro cidades. Os demais municípios da região não informaram seus dados.
A escolha do dia 25 de agosto para a celebração se deve ao fato de que, nesta data, ocorreu a primeira feira livre nos moldes modernos, na Capital, em 1941. A maior feira do Grande ABC, segundo levantamento das prefeituras citadas, é a da Avenida Valdemar Jesuíno da Silva, no Jardim Maringá, em Mauá. Ela tem aproximadamente 465 metros de extensão e conta com 86 barracas.
Já o feirante mais antigo da região está registrado desde 1965, na Vila Luzita, em Santo André. No entanto, Hisayuki Matoba, 68 anos, afirma que começou a atuar nas feiras da cidade um ano antes. “Sou feirante aqui há 61 anos. Vim de Mogi das Cruzes e segui a profissão do meu pai, que vendia batata, cebola e tomate”, conta.
Sua filha, Marina Marie Matoba, 40, lembra que acompanha o pai desde pequena. “Dormia embaixo da banca, cresci nesse ambiente, brincando com outras crianças, e, com 10 anos, comecei a atender”, afirma. Bacharel em Direito, a andreense atuou na área, morou alguns anos no Japão e retornou há dois meses. “Mesmo enquanto trabalhava em outra profissão, ajudava nas feiras aos fins de semana. Agora voltei para vender pastel todos os dias”, diz.
Há 12 anos, Hisayuki trocou a barraca de legumes por uma pastelaria, por ser, segundo ele, mais lucrativa. O pasteleiro não informou quantos produtos comercializa por mês, mas garante: “Comida pronta vende mais”.
Feirante há 37 anos em Santo André, Adilson Rosa Ferraiole, 56, afirma que o ponto de uma barraca de pastel é bastante valorizado e pode chegar a custar R$ 800 mil. Ele sempre trabalhou com frutas, atividade que, segundo ele, exige investimento inicial de aproximadamente R$ 150 mil: “Trabalhei com um amigo em um sacolão, fui desenhista e depois vim para a feira”.
Sua sogra, Maria Aparecida Oliveira Bearare, 80, atua nas feiras desde 1967, em São Caetano e Santo André. Mesmo aposentada, ela escolheu continuar nesse universo e hoje ajuda o genro em sua barraca. “Gosto de trabalhar e não ficar parada. Já vendi legumes, frutas e utilidades domésticas. O que você me der, eu vendo”, garante.
Adilson ressalta que este é um mercado bastante concorrido e que, para ingressar nele, o caminho mais viável é comprar uma barraca de algum feirante com os devidos registros e autorizações das prefeituras. “Está difícil para novas pessoas entrarem porque estão reduzindo o espaço das feiras cada vez mais por causa dos prédios”, explica.
Também seguindo a tradição familiar, Chiristian Karato, 26, tornou-se feirante. Desde criança, acompanhava a mãe e a avó. Há três anos, comprou seu próprio ponto para atuar nas feiras de Santo André. “Gosto da liberdade, de não ter rotina e de estar cada dia em um lugar. Não me imagino em um escritório”, conclui.
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