Saúde Municípios do Grande ABC aderem ao programa desde sua implantação, em 2013; membros do governo brasileiro foram alvo de sanções
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

Criado há 12 anos, o Mais Médicos está presente na atenção primária à saúde do Grande ABC desde sua implementação no País, em 2013. No total, as sete cidades contam com 255 profissionais, enquanto, no Brasil, 26.414 integram o programa, instituído para enfrentar desigualdades e ampliar a presença de médicos em regiões com escassez ou ausência desses profissionais.
Apesar de consolidado no País, o programa foi alvo de críticas nas últimas semanas devido às tensões com o governo norte-americano. Os Estados Unidos impuseram sanções, como a revogação de vistos, a membros do governo brasileiro e criadores da política pública. A decisão foi baseada na contratação de cubanos pelo Mais Médicos, que durou de 2013 a 2018 – Cuba é considerado um país “hostil” pelos EUA.
A participação cubana no programa foi reduzida ao longo da última década e, hoje, segundo o Ministério da Saúde, representa apenas 10% do total de profissionais que atuam na rede pública do Brasil – o programa passou a priorizar a seleção de médicos nacionais. Cuba mantém esse programa de cooperação desde a década de 1960, e países como Portugal, Ucrânia, Rússia, Espanha, Argélia e Chile já receberam médicos cubanos ao longo de mais de 60 anos, de acordo com o Ministério da Saúde do país caribenho.
No Grande ABC, 70,5% (180) do total de profissionais do Mais Médicos são brasileiros e 21,5% (55) são cubanos. Os demais médicos que atuam nos municípios da região são de outras nacionalidades, como bolivianos (11) e venezuelanos (6).
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REALIDADE
No Brasil, desde 2016, a cubana Yeniksa Rodrigues Torres, 40 anos, é responsável técnica e médica na Clínica da Família Vila Guiomar, em Santo André – ela atua na cidade desde 2022. Sua primeira experiência profissional no País foi no município de São Francisco, às margens do rio, no Norte de Minas Gerais.
“Quando cheguei ao Brasil, pensei que iria para Copacabana (Rio de Janeiro), porque era isso que eu via sobre o País na televisão. Porém, a realidade foi diferente. Terminei atendendo à população em um local que ficava a 60 km do Centro do município, que precisava ser acessado por balsa e caminhão em estrada de terra. O que eu conhecia do Brasil era uma coisa, o que vivi foi outra. Com Cuba acontece exatamente igual”, afirmou a médica.
Yeniksa exaltou o programa Mais Médicos e disse que ele representa uma excelente troca de experiências entre os profissionais participantes e a comunidade local. “Os protocolos de saúde são diferentes, com populações, características e doenças prevalentes distintas. É necessário estudo e toda uma preparação para atuar. Aprendemos com vocês e compartilhamos nossa bagagem. O objetivo é o mesmo: a saúde dos moradores”, compartilhou a cubana, que também atuou por alguns anos na Venezuela.
Apesar das críticas de parte da sociedade à participação de médicos cubanos, Yeniksa afirmou que nunca sofreu preconceito durante os nove anos em que atua no Brasil. “Existem médicos bons e ruins em todos os países. Profissionais bons e ruins saem de todas as faculdades do mundo. Sempre fui bem aceita em todas as populações que atendi”, pontuou.
Sobre as sanções impostas aos membros do governo brasileiro pelo programa Mais Médicos, a profissional se diz contrária. “Os Estados Unidos não têm que intervir em acordos entre outros países. Cada nação tem suas próprias leis. As sanções ao povo cubano vão acontecer por qualquer motivo, e, neste momento, a estratégia foi para atingir ambos os governos (Brasil e Cuba)”, finalizou a médica.
(Colaborou Gabriel Rosalin)
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