Luto Cofundador de O Pasquim e criador do ratinho Sig, marcou gerações com traço livre, ironia e enfrentamento à censura
FOTO: Reprodução

Morreu neste domingo (24) Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, aos 93 anos. Cartunista, ilustrador, desenhista, jornalista e cronista, ele atravessou sete décadas de produção com um traço imediatamente reconhecível e um humor ácido, capaz de transformar personagens e cenas do cotidiano em comentários sociais. A morte foi confirmada ao jornal O Globo pela viúva de Jaguar, Celia Regina Pierantoni.
Começou em 1953, na Manchete, enquanto ainda era funcionário do Banco do Brasil – emprego que deixaria apenas em 1971. Nos anos 1960, levado por Carlos Scliar, tornou-se um dos nomes centrais da revista Senhor e colaborou com Revista da Semana, Civilização Brasileira, Pif-Paf, Tribuna da Imprensa e Última Hora. Em 1968, lançou a antologia Átila, você é um bárbaro, já com o estilo solto que o consagraria.
A partir de 1964, integrou a geração que peitou a censura. Fundou a Banda de Ipanema, símbolo da retomada dos blocos de rua no Rio, e, em 1969, ajudou a criar O Pasquim ao lado de nomes como Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Henfil, Paulo Francis e Ziraldo. No semanário, do qual foi o único fundador a permanecer até o fim, virou editor de humor, entrevistador e cartunista, além de conceber o mascote Sig, o ratinho que, como seu alter ego, anunciava as novidades da edição. Também assinou a tira Chopnics (com Ivan Lessa) e o personagem Gastão, o Vomitador. Uma charge-montagem sua, parodiando Independência ou morte, levou quase toda a equipe à prisão no fim de 1970.
Com o encerramento de O Pasquim em 1991, Jaguar seguiu ativo: editou o jornal A Notícia, publicou coluna no O Dia e ilustrou a coluna de Ivan Lessa no Jornal do Brasil. Participou, em 1999, da revista de humor Bundas e lançou Confesso que bebi (2001), um passeio afetivo pela gastronomia carioca.
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