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FOTO: Marcos Oliveira/Agência Brasil

A indústria automotiva da União Europeia precisa de um novo rumo. Segundo o relatório de Mario Draghi, ex-presidente do BCE (Banco Central Europeu) e ex-primeiro-ministro da Itália, o bloco europeu necessita de 800 bilhões de euros anuais em investimentos privados para manter sua posição como potência econômica global.
É urgente aplicar esses recursos na indústria automotiva europeia, um setor que emprega cerca de 14 milhões de pessoas, responde por 8% de todo o valor da manufatura, e concentra 30% dos investimentos, conforme a consultoria McKinsey.
Porém, a participação da UE na produção automotiva global caiu de 31% em 2000 para 15% em 2022. E pode perder mais de 10% de sua capacidade nos próximos cinco anos. O relatório Draghi recomenda rever a atual estratégia de descarbonização do setor. E o Brasil é um modelo a seguir.
Em 2024, o setor automotivo brasileiro viveu um ano excepcional, impulsionado por investimentos estrangeiros de mais de US$ 20 bilhões. Movimento favorecido por tendências globais de regionalização das cadeias produtivas e por um ambiente regulatório nacional que inspira confiança.
O ciclo de desenvolvimento de um veículo pode ultrapassar cinco anos e precisa ter regras claras. E foi o que o Brasil fez com o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que mostra que é possível integrar incentivos fiscais, estímulos à Pesquisa e Desenvolvimento e um marco regulatório para descarbonização, com garantias de aplicação até 2030.
O Mover promove a inovação por meio de uma abordagem tecnológica neutra, o que significa a redução real do impacto ambiental. Ação recomendada por Draghi à Europa.
O Brasil adota o método de AVC (Avaliação do Ciclo de Vida), que calcula o total de poluentes gerados por um veículo, desde sua fabricação até o descarte. Considera também os gases emitidos durante a produção e a origem dos combustíveis utilizados. Mais de 80% dos veículos vendidos no País utilizam motores flex com etanol, um combustível de fonte renovável, com emissão líquida muito inferior a dos combustíveis fósseis. A ACV fomenta a inovação e o investimento em combustíveis alternativos sustentáveis.
O relatório Draghi pede que a Europa adote uma metodologia baseada em ACV até o fim de 2025.
Com o programa Mover, o Brasil mostra como integrar política industrial e ambiental, garantir inovação, segurança jurídica e previsibilidade. A experiência brasileira acelera a transformação verde com responsabilidade econômica. Se quiser revitalizar sua indústria automotiva, a Europa precisa olhar para o sul do Equador.
Matias Giannini é CEO da Horse Powertrain Limited.
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