Editorial O aumento de mortes envolvendo motocicletas no Grande ABC desnuda cenário que exige respostas imediatas. Entre 2020 e 2025, o número de vítimas fatais cresceu 66%, passando de 38 para 63, segundo dados oficiais do governo estadual. Metade dos óbitos no trânsito da região, neste ano, envolve esse tipo de veículo. A expansão do mototáxi desde 2020 agravou o quadro, como alertam pesquisadores e especialistas. Estudos apontam que o usuário de moto já é o mais vulnerável nos sinistros de trânsito no Brasil, e a ampliação dessa modalidade de transporte tende a ampliar riscos, criando uma equação em que a oferta do serviço e o aumento de acidentes caminham lado a lado.
A defesa de regulamentações para o mototáxi, recém-permitida por lei estadual mediante decisão de cada município, é vista por técnicos e juristas como insuficiente para reverter a tendência de crescimento das ocorrências fatais. Ao contrário, há quem afirme que a legalização estimula a procura e transmite impressão equivocada de segurança. A dinâmica dessa atividade – marcada por disputas no tráfego, circulação entre veículos, pressão por maior número de viagens e preparo variável dos condutores – amplia a probabilidade de colisões graves. Os registros recentes de mortes na região confirmam que não se trata de risco hipotético, mas de problema que se repete com frequência preocupante.
Diante de estatísticas consistentes e projeções convergentes de quem entende do riscado, a opção por adiar decisões restritivas parece incompatível com a gravidade do cenário. Criar grupos de trabalho ou discutir regras não elimina a exposição de usuários e motociclistas a condições sabidamente perigosas. O acúmulo de evidências, reforçado por vozes experientes no trânsito, indica que a manutenção do mototáxi representa custo humano elevado. O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, a quem compete direcionar os prefeitos das sete cidades, tem de agir. Ao protelar a proibição, administrações assumem o risco de assistir ao aumento de vítimas sem agir para contê-lo. Esperar mais o quê?
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