Na Câmara Vereadores contrários ao projeto fizeram críticas à parceria do governador com o município
FOTO: Denis Maciel | DGABC

Os vereadores de Mauá rejeitaram nesta terça-feira (12) a proposta de concessão do título de Cidadão Mauaense ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A iniciativa, apresentada pelo vereador Erismar Soares Clementino, o Mazinho (PL), foi derrubada por 12 votos contrários e 11 favoráveis. A votação ocorre em um momento de crescente insatisfação regional com a gestão estadual, marcada por atrasos no atendimento a demandas das sete cidades do Grande ABC e pela ausência do Estado em políticas públicas para a região.
Antes do início da sessão, Mazinho acreditava contar com 14 votos favoráveis à sua propositura. Porém, após manifestação de José Luiz Cassimiro (PT) houve mudança de postura de alguns vereadores. O petista trouxe à tona a redução na verba destinada para a educação protagonizada pela gestão Tarcísio e também utilizou trecho do editorial do Diário para embasar seu discurso. <EM><EM>“Fui dirigente do sindicato dos professores por muitos anos. Os profissionais da educação fizeram uma luta muito grande e, em 1993, conseguimos ampliar no Estado de São Paulo a verba para o setor de 25% (do orçamento) para, no mínimo, 30%. Infelizmente, o governador Tarcísio tirou esses 5% no ano passado. Quero deixar registrada uma fala que não é minha, mas do editorial do Diário: ‘não se tem conhecimento de outra administração estadual que ignorasse a importância socioeconômica do Grande ABC como a de Tarcísio de Freitas. O governador que mais prometeu investimento para a região e o que menos cumpriu os compromissos assumidos’. Quero fazer coro aqui aos sete prefeitos, dizendo o quanto nefasto tem sido esse governo do Estado para a população de nossa região”, afirmou .
Durante a sessão, diversos vereadores criticaram duramente o governador. Wellington da Saúde (PSB) afirmou que jamais votaria favoravelmente a Tarcísio, relatando um caso pessoal envolvendo sua irmã, professora contratada que precisou retornar ao trabalho antes do tempo recomendado após uma cirurgia, devido às regras contratuais rígidas. “O médico deu 90 dias de atestado, mas ela só pôde faltar 15 dias, senão perderia o contrato. Minha irmã teve que voltar antes do tempo. Isso é mérito do senhor Tarcísio. Posso votar a favor de um cara desses? Nunca mais na minha vida”, declarou o parlamentar.
Também contrário à homenagem, o presidente da Câmara, Juninho Getúlio (PT), argumentou que o título deve ser concedido apenas a quem tem vínculo efetivo com a cidade. “Não concordo em dar o título de Cidadão Mauaense a quem sequer conhece a cidade. A honraria deve ser para alguém que tenha prestado serviços relevantes ou feito algo importante por Mauá. Estamos entrando no terceiro ano de mandato e continuamos cobrando as mesmas coisas de três anos atrás: apoio à saúde municipal, construção de creches, pavimentação. Nada avança junto ao governo do Estado”, criticou. O vereador também mencionou a falta de apoio no custeio do Hospital Nardini como exemplo da omissão estadual.
De acordo com reportagem do Diário desta terça-feira (12), o descontentamento dos prefeitos da região com o governador é reflexo de compromissos assumidos ainda não concretizados. Projetos nas áreas de habitação, mobilidade urbana, drenagem e saúde seguem parados, à espera de ação do governo estadual.
Além das promessas não cumpridas, pedidos feitos pelos prefeitos aguardam há meses por uma resposta. É o caso da implementação da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) Regional e da efetivação dos AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) solicitados pelos municípios de Ribeirão Pires e Diadema.
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