Editorial O Grande ABC assiste, na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), à multiplicação de promessas não cumpridas e canteiros de obras paralisados. Projetos anunciados com visibilidade política, como habitações, AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades) e intervenções de mobilidade, seguem a passos de tartaruga, foram interrompidos ou simplesmente não iniciaram. Reportagem publicada nesta edição do Diário, baseada em informações colhidas com fontes a par do assunto nas sete cidades, mostra de maneira evidente que falta atenção do Palácio dos Bandeirantes com a região desde que a atual gestão começou. Quando questionado, o governo se derrama em justificativas técnicas e administrativas que, a bem da verdade, são todas elas facilmente refutáveis. E nada de prazos efetivos.
Exemplos do abandono estadual se espraiam pelas sete cidades. A Praça da Cidadania, em Diadema, é o mais clássico: entregue à ação do tempo, permanece cercada e sem uso, apesar de ter previsão de funcionamento em 2023. Empreendimentos habitacionais, como residenciais em Santo André e Diadema, permanecem incompletos. Na mobilidade urbana, a situação não difere. O BRT, iniciado em 2022 e previsto para 2023, teve a entrega adiada diversas vezes, mantendo trechos em estágio inicial de obras. A Linha 20-Rosa do Metrô, cuja prioridade seria começar pelo Grande ABC, aguarda definição de área para pátio de manobras e sequer teve publicado o decreto necessário às desapropriações. Promessas de drenagem urbana, como as anunciadas para Mauá, seguem no papel, sem repasse de recursos.
Não se tem conhecimento de outra administração estadual que ignorasse a importância socioeconômica do Grande ABC como a de Tarcísio de Freitas. O governador que mais prometeu investimentos para a região é também o que menos cumpriu os compromissos assumidos. Deste modo, os investimentos permanecem no campo das intenções, e a população enfrenta diariamente os efeitos da ausência de soluções estruturais. O governo estadual sustenta a existência de diálogo técnico com os municípios, mas a falta de prazos e de execução concreta transforma comprometimento em expectativa frustrada. Sem avanços práticos, as sete cidades se convertem em um mosaico de estruturas inacabadas, configurando um verdadeiro cemitério de obras e projetos que emperram o desenvolvimento local.
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