Editorial A revelação de articulação coordenada pelo secretário de Planejamento Urbano, Chiquinho do Zaíra (MDB), vereador licenciado, para antecipar o debate sobre a presidência da Câmara de Mauá para o biênio 2027-2028, iniciada 17 meses antes da eleição, expõe inversão de prioridades no Legislativo. Em vez de discutir pautas voltadas às demandas urgentes da população, parte dos edis opta por dedicar energia a disputar poder. A cidade enfrenta problemas que exigem atenção imediata, como a melhoria dos serviços públicos, o combate à desigualdade e a ampliação de investimentos em infraestrutura. A disputa prematura desvia o foco e compromete a credibilidade da atuação parlamentar.
O movimento liderado por um grupo expressivo de vereadores, com articulações e trocas de recados políticos, demonstra que o interesse por posições de comando se sobrepõe ao compromisso com o trabalho legislativo diário em prol da população que elegeu todos os ocupantes da Casa. A condução de projetos, a fiscalização do Executivo e o atendimento às necessidades coletivas são obrigações que não podem ser secundarizadas por disputas de bastidores. Ao insistirem nesse embate tão antecipado, os parlamentares envolvidos transmitem à população a mensagem de que as alianças políticas e estratégias eleitorais pesam mais que a solução dos desafios urbanos.
Cabe à Câmara reenquadrar-se ao trabalho legislativo e reafirmar sua função de representar os cidadãos, destinando tempo e esforço à construção de políticas públicas eficazes. A independência entre os poderes, defendida acertadamente pelo prefeito Marcelo Oliveira (PT), só se sustenta quando acompanhada de responsabilidade e foco no interesse público. O debate sobre quem comandará a Casa deveria ocorrer no momento adequado, sem atropelar o calendário e sem comprometer a agenda de trabalho. Mauá precisa de vereadores atentos às demandas reais da cidade, não de protagonistas de disputas pelo controle da mesa diretiva antes mesmo de encerrado o mandato em curso.
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