Artigo Apesar das tensões políticas recentes entre Brasil e Estados Unidos, com destaque para a nova tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, percebemos que o segundo semestre para o empresariado será de um otimismo moderado.
Acreditamos que essa medida, imposta a partir do próximo mês, é fruto de uma disputa meramente política, sem fundamento econômico sólido, e que deve ser superada. Não há governo, de direita ou de esquerda, que consiga sustentar uma crise diplomática e comercial com os Estados Unidos, por muito tempo. Em algum momento, será necessário dialogar e resolver. E se o governo não fizer isso, empresários com atuação internacional certamente buscarão soluções diretas.
Empresas que mantêm negócios bilionários em terras americanas, não vão simplesmente aceitar passivamente medidas que prejudiquem suas operações. E o contrário também pode acontecer. Empresas americanas já estão com ação na justiça contra a decisão.
O empresariado brasileiro tem força, articulação e cada vez mais consciência do seu papel como agente político e econômico. A verdade é que estamos vivendo um reflexo de uma disputa entre duas famílias políticas brasileiras, que acabou ganhando repercussão internacional – uma situação que só escancara o quanto a polarização atrapalha o desenvolvimento real de qualquer país.
Sem ideologia, mas com pragmatismo, é importante dizer que o Brasil tem desafios muito mais urgentes a enfrentar internamente. Vimos que a inflação continua fora do controle e o nível de endividamento da população está altíssimo. Nunca vimos tantos pedidos de desconto em folha como agora. Muitos trabalhadores estão tentando sair do emprego para pegar a rescisão e pagar dívidas. É vivemos isso na prática, em nosso dia a dia. Isso precisa e é necessário ser debatido.
Mesmo mediante a esse cenário, seguimos acreditando que teremos, sim, um segundo semestre com boa movimentação. O calendário ajuda: temos pela frente o Dia das Crianças, Black Friday e Natal. O 13º salário também impulsiona o consumo, e enquanto houver dinheiro circulando, haverá fôlego para as empresas manterem suas atividades. Não será um semestre extremamente aquecido, mas deve seguir dentro de uma normalidade que permite ao mercado continuar girando.
Por fim, reforço que o nosso papel como empresário, atuante no Grande ABC, será sempre de empreender, de se reinventar todos os dias. Não é o “tarifaço” que nos obriga a isso. Essa reinvenção faz parte da nossa rotina. O Brasil precisa, sim, ampliar seu diálogo com outros mercados, mas não podemos contar com o Mercosul como uma alternativa imediata ao volume que se perde com os Estados Unidos. A Argentina, por exemplo, apesar de algumas melhoras, ainda oferece um ambiente de negócios instável. Contudo e sempre precisamos resolver os nossos problemas internos e focar nas soluções reais.
Márcio Grazino é diretor da Maximu’s Embalagens Especiais.
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