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Pneus de carga e agrícolas serão afetados por tarifaço

Instaladas em Santo André, Bridgestone e Prometeon vão ser impactadas se medida entrar em vigor na quarta-feira

Nilton Valentim
03/08/2025 | 09:18
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Pneus de carga, agrícolas e de motocicletas fabricados no Brasil e exportados para os Estados Unidos serão atingidos pela sobretaxa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump a partir de quarta-feira (dia 6), segundo a Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos). Se o tarifaço for efetivado, duas das principais empresas do setor instaladas em Santo André – Bridgestone e Prometeon – serão afetadas. Os itens para carros de passeio seguem pagando 25% de tributo.

Nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Anip, foram exportados 4,22 milhões de unidades (1,45 milhão aos Estados Unidos ou 34% do total). Os pneus de carga somaram 1,32 milhão de unidades, sendo que 502,8 mil, ou 38% das exportações, foram destinados ao mercado norte-americano. As exportações de pneus agrícolas somaram 54,5 mil unidades no primeiro semestre. Os Estados Unidos responderam por 1% dos embarques, ou 392 unidades.

“As tarifas de 50% e 25% impostas pelo governo norte-americano trazem grande preocupação. Trata-se de mais um desafio a ser enfrentado no contexto do setor. Desde 2020 temos convivido com o crescimento das importações, muitas vezes com valores abaixo do custo (dumping), afetando duramente a indústria no País, assim como os empregos e investimentos, e reduzindo a compra de matérias-primas locais”, afirma Rodrigo Navarro, CEO da Anip.

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O tarifaço de Trump preocupa também os trabalhadores, principalmente pela ameaça de corte de postos. Em julho – quando a sobretaxa foi anunciada pelo presidente norte-americano – o Sintrabor (Sindicato dos Borracheiros da Grande São Paulo e Região) alertou para possibilidade de perda de cerca de 3.500 empregos. 

Na ocasião, o presidente do Sintrabor, Márcio Ferreira, afirmou que com as medidas da Casa Branca, a primeira empresa a fechar vagas seria a Bridgestone, seguida da Prometeon (antiga Pirelli). 

“Se pegar a Bridgestone, aqui em Santo André, temos 3.500 trabalhadores. A empresa fechou a parte (de fabricação) dos pneus de agricultura. Parou as máquinas, pegou o pessoal e está fazendo pneus de caminhão, que estão indo para os Estados Unidos. Porque lá fecharam uma fábrica e a produção veio para cá. Se colocar 50% (de tarifa), a empresa não vai fabricar mais nada”, projetou o sindicalista.

De acordo com Navarro, as tarifas trazem prejuízos e afetam as empresas do setor, em especial as que investiram em linhas de produção no Brasil exclusivamente para exportação aos Estados Unidos. 

São Paulo é uma das unidades federativas mais afetadas pelas medidas tarifárias. Em 2024, com nove fábricas, duas em Santo André, o Estado concentrou 49,4% dos pneus produzidos para exportação. 




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