Estatítica Com 8.271 casos, Grande ABC tem redução histórica para o período; migração para crimes menos arriscados pode ser possível causa, avalia especialista
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O Grande ABC manteve no primeiro semestre a redução histórica nos casos de roubo. Com 8.271 ocorrências, contabilizando as notificações de itens gerais e de veículos, a região registrou o menor número em 25 anos, desde 2001, quando a SSP (Secretaria de Segurança Pública) iniciou os indicadores criminais.
A marca já tinha sido atingida nos primeiros seis meses de 2024, quando foram registradas 10.203 ocorrências de roubos na região. Na comparação anual, também houve recorde, o ano passado teve o menor número de casos desde 2001, com 19.441 registros.
Segundo os dados cedidos com exclusividade ao Diário, foram 6.837 registros de roubo geral, que inclui as ocorrências de carga e a banco e 1.434 de roubo de veículo no primeiro semestre de 2025. Em relação ao mesmo período do ano passado, a redução foi de 26% e 17% em roubos de veículos e gerais, respectivamente.
A diminuição histórica não pode ser associada apenas a um único fator, conforme ressalta o advogado criminalista e conselheiro do CNPCP (Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária), Arthur Richardisson. Entre as possíveis causas está a atuação estratégica das forças de segurança, por meio da intensificação do policiamento ostensivo, operações integradas e investimentos em inteligência policial.
“A criminalidade é um fenômeno complexo e multifatorial, influenciado tanto por intervenções institucionais quanto por dinâmicas sociais, econômicas e comportamentais mais amplas. Depende também de circunstâncias externas, como mudanças no comportamento dos criminosos, o impacto econômico no mercado ilícito de bens, e alterações na postura preventiva da população”, diz o advogado.
Richardisson cita ainda que os criminosos estão se adaptando e migrando de crimes mais arriscados como roubos para furtos e crimes virtuais, que oferecem menor chance de flagrante. “Discute-se também se mudanças no mercado ilegal de desmanches e fiscalização mais rígida tenham reduzido a lucratividade típica dos roubos de veículos.”, pontua o especialista.
DIMINUIÇÃO
Ainda em relação aos crimes patrimoniais, os casos de furtos gerais tiveram leve variação e saíram de 12.913 no ano passado para 13.007 neste semestre. Já o número de vítimas de homicídio doloso, quando há intenção de matar, caiu 14% no período e passou de 67 óbitos para 57.
Sobre a produtividade policial, a SSP informou que foram apreendidas no Grande ABC 3,1 toneladas de drogas e 2.110 veículos roubados ou furtados foram recuperados. Houve a prisão de 3.958 infratores no período e a apreensão de 197 menores infratores.
LEIA TAMBÉM: Receita para viver 110 anos da dona Josefa: mato, água e alegria
Derrite atribui queda à integração Ao Diário, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, atribuiu a queda histórica nos índices criminais no Grande ABC à integração das forças de segurança. “A queda nos indicadores é resultado da nossa estratégia, que prioriza uma abordagem integrada entre as Polícias Militar e Civil e as guardas municipais. Assim, conseguimos cruzar informações para identificar e prender criminosos, desarticulando as redes de receptação que acabam fomentando os principais crimes patrimoniais, o que tira a tranquilidade da população”, pontuou. Além disso, Derrite afirmou que a Pasta está recompondo o efetivo para fortalecer “ainda mais o combate ao crime em todas as frentes, seja por meio do policiamento ostensivo e preventivo e das investigações policiais”, finalizou o secretário. O advogado criminalista Arthur Richardisson reforçou que a diminuição nas ocorrências pode ser associada à intensificação de ações conjuntas realizadas neste ano na região, como as operações Impacto ABC, Hércules e Força Total. Outro exemplo citado pelo especialista é o uso da tecnologia, como as câmeras de videomonitoramento inteligentes instaladas nas cidades. “Aliada a outras tecnologias, essas medidas têm dificultado significativamente o cometimento de crimes patrimoniais, especialmente roubos de veículos, uma vez que ampliam os riscos de prisão e aumentam os custos e dificuldades para a prática delitiva”, finaliza Richardisson.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.