Regionalidade Ausência de diálogo do secretário de Saúde, Eleuses Paiva, com os prefeitos amplia críticas ao Palácio dos Bandeirantes
FOTO: Reprodução Redes Sociais

Prefeitos do Grande ABC estão descontentes com o tratamento que cidades da região recebem do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A insatisfação é generalizada, segundo apurou o Diário com fontes ligadas aos gabinetes de cinco dos sete chefes de Executivo da região. A contrariedade se acentuou porque o secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, não abriu diálogo sobre pleitos considerados importantes pelos gestores.
Faz duas semanas que a equipe de reportagem do jornal tem colhido relatos de que o Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, se nega a atender pedidos dos prefeitos do Grande ABC. As reclamações são disseminadas, mas a saúde domina as conversas. Os entrevistados só toparam falar na condição de anonimato, temendo retaliação do Estado.
As principais causas de tensão entre municípios e governo paulista dizem respeito ao silêncio de Eleuses Paiva às propostas de implementação de Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) exclusiva para o Grande ABC e de instalação de AME (Ambulatório Médico de Especialidades) no prédio onde funcionava o Hospital São Lucas, hoje vazio.
O pedido da Cross remonta há oito anos, mas foi retomado com toda força no ano passado pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. Eleuses designou a secretária-executiva da Pasta, Priscilla Reinisch Perdicaris, para ouvir a demanda, mas até agora não deu nenhuma resposta.
O secretário adotou a mesma postura com a solicitação da AME feita no início deste ano pelo prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL). O liberal adiantou que, diante do silêncio de Eleuses Paiva, vai reforçar o pedido à Secretaria de Estado da Saúde.
Políticos ouvidos pelo jornal avaliam que o comportamento do secretário de Saúde tem o aval do governador. Um deles lembrou que Tarcísio entregou apenas um projeto em dois anos e meio de governo ao Grande ABC, ainda assim tímido para os padrões estaduais: a Praça da Cidadania, no Jardim do Éden, em Mauá, recebeu investimentos de R$ 5,9 milhões.
Em 30 meses de administração, o governador paulista visitou a região em seis oportunidades. Além de Mauá, ele esteve três vezes em São Bernardo e duas em Santo André. Na condição de cabo eleitoral, em outubro, veio a Diadema fazer campanha para o então candidato – hoje prefeito – Taka Yamauchi (MDB).
Por enquanto, as críticas dos prefeitos ao governador estão restritas aos bastidores e são feitas a portas fechadas. Publicamente, os sete prefeitos elogiam a parceria de Tarcísio de Freitas com o Grande ABC. O Diário, todavia, obteve a informação de que pelo menos um deles reclamou, utilizando termos bastante duros em mensagem de WhatsApp, da postura do chefe do Executivo paulista com a região.
A Secretaria de Estado da Saúde, comandada por Eleuses Paiva, garante que “mantém diálogo contínuo com os municípios do Grande ABC”. O termo consta em nota encaminhada ao Diário pela Pasta. Como exemplo do relacionamento, cita “encontros com os gestores nas oficinas de regionalização”. Em seguida, informa que, “desde o início da atual gestão”, em 1º de janeiro de 2023, foram realizadas duas delas – ou seja, menos de uma por ano.
“Desde o início da atual gestão, foram realizadas duas oficinas voltadas à organização das demandas assistenciais e à construção conjunta de soluções regionais, com participação dos prefeitos e representantes dos sete municípios da região”, informa a Secretaria. A terceira está programada para o próximo mês, agosto.
Sobre as reclamações dos prefeitos, que acusam Eleuses Paiva de não atendê-los, a Pasta declara que o secretário “reafirma o compromisso com o fortalecimento da regionaliza-ção, por meio do diálogo com gestores locais e da atuação conjunta para aprimorar os serviços oferecidos à população do Grande ABC e de todo o Estado de São Paulo”.
LEIA TAMBÉM
Grande ABC espera há oito anos por resposta sobre Cross Regional
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.