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FOTO: Agência Brasil

O melhor ambiente de negócios que podemos desejar é composto por vários fatores, entre eles a estabilidade econômica, juros baixos e segurança jurídica, além, é claro, da baixa inflação. Porém, não é isto que o Brasil e o mundo têm apresentado, estamos atravessando tempos incertos, mas a máquina não pode parar. Vez por outra podemos ter algum alívio, que foi o caso da retirada da cobrança do IOF nas operações de risco sacado (conhecidas como forfait, no mercado) em uma negociação entre Executivo e Legislativo, mediada pelo Supremo Tribunal Federal.
Contudo, o varejo precisa ser ouvido também sobre outra circunstância sufocante (e não está sozinho) com a qual está convivendo: elevadíssima taxa Selic de 15%, levando a juros reais em torno de 9,2%, que somados ao spreed e encargos aplicados pelo sistema financeiro, chegam a níveis de juros nominais que reduzem significativamente o resultado das empresas, principalmente as tomadoras de empréstimos para se manterem ativas.
Se mantido o elevadíssimo atual custo de capital, podem até não sobreviverem. Entre as economias de maior relevância, ficamos atrás apenas da Rússia, com juros reais de, aproximadamente, 14,5%.Estamos em um nível extremamente elevado de taxa Selic, e todos sentem seus efeitos. A explicação técnica é que este patamar reflete o efeito de muitas causas a serem eliminadas. Então, é extremamente urgente que as causas sejam tratadas.
Esperamos que nos próximos capítulos da economia brasileira, bem próximos, os juros venham a ser reduzidos. Entre as causas apontadas há o desequilíbrio das contas públicas. Se tomarmos a apuração da receita de imposto do governo federal registrada no Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo neste ano, ela alcançou, até o momento, R$, 2,2 trilhões, enquanto as despesas primárias registradas no GastoBrasil, também da ACSP, chegou a R$ 2,9 trilhões. Isto significa que são gastos, por mês, R$ 100 bilhões a mais do que se arrecada.
Outra justificativa também é a distância entre a projeção da inflação anual de, aproximadamente, 5,2%, acima do centro da meta de 3% e fora do intervalo de tolerância, entre 1,5% e 4,5%.
Tomando-se as duas condições acima, desequilíbrio das contas pública (que requer uma análise com maior profundidade) e inflação fora da meta, mais o cenário externo adverso e, particularmente, incerto, temos algumas das justificativas do porquê a Selic está sendo mantida em níveis estratosféricos.Temos que manter a voz elevada, bradar para que esses e outros sintomas sejam debelados pelos responsáveis “in charge” e, quem sabe, o efeito dos juros altos comece a desaparecer.
Enquanto isto, contamos com a criatividade empresarial para passar pelos dias atuais e os que virão e incentivar os clientes a consumirem, acreditando em um futuro melhor, afinal, a máquina não pode parar.
Jorge Gonçalves Filho é presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo).
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