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‘O olhar para o artista local é fundamental’

27/07/2025 | 06:15
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FOTO: Divulgação/PMSCS
FOTO: Divulgação/PMSCS Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A cidade de São Caetano, que completa 148 anos hoje, preparou programação de aniversário que se estende ao longo de todo o mês, voltada à valorização cultural. As ações incluem o incentivo ao uso de espaços públicos, como os parques municipais, e o protagonismo de artistas locais, uma diretriz que resultou em economia de R$ 698.920 aos cofres públicos. À frente da Secretaria de Cultura, Camila Zanon afirmou que a valorização do artista são-caetanense neste aniversário representa o atendimento a uma demanda que há tempos estava reprimida no município.

Raio X

Nome: Camila Zanon Costa

DGABC

Aniversário: 24 de novembro

Onde nasceu: São Paulo

Formação: Jornalista/Planejamento estratégia em comunicação

Um lugar: A casa da minha avó Maria

Time: Corinthians

Um livro: O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

Uma música: Cores Vivas, de Gilberto Gil

Um filme: Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles

São Caetano completa nesta segunda-feira 148 anos e, para celebrar, a Secretaria de Cultura preparou uma programação não só para hoje, mas para o mês inteiro. Como foi essa preparação?

Sou empolgada e entusiasta de diversas atividades que possamos trazer para abraçar e falar de cultura com as pessoas. Um dos pedidos do prefeito Tite Campanella (PL) é que ocupemos os parques. Que levemos as famílias para os parques, inserindo atividades dentro desses espaços para atrair as pessoas. Então, pensamos e nos baseamos nisso, tendo o Parque Chico Mendes como o coração de São Caetano, vamos dizer assim, já que é o centro de grandes atividades da cidade.Pensamos, então, em direcionar nosso edital para lá, valorizando os artistas regionais. Montamos um edital com esse foco, dividindo as atrações em várias linguagens. No sábado (26) tivemos rock; no domingo, sertanejo; e hoje teremos samba. Dizem que ‘quem não gosta de samba, bom sujeito não é — ou é ruim da cabeça ou doente do pé’ (trecho da música Samba da Minha Terra, de Dorival Caymmi). 

Como foi pensada a programação para as crianças?

Foi idealizada justamente com esse olhar de querer levar as famílias para os parques e às ruas. Quando pensamos em família, falamos de um público com idades diversas. Todo mundo hoje tem filho, sobrinho ou neto, e acaba cuidando de alguma criança. Como a programação acontece pela manhã, à tarde e se estende até às 20h, conseguimos abrir espaço para conversar com todos, crianças, adultos e idosos. Montamos uma estrutura para abraçar todo mundo. Realmente, para a família inteira.

A programação de aniversário começou no início do mês. Qual balanço a sra. faz até agora?

A cidade abraçou as festividades. Criamos as “Quintas de Aniversário”, uma novidade no calendário, com atividades gratuitas nos teatros Santos Dumont e Paulo Machado. Tivemos apresentações como chorinho, a Big Band Salada Mista — que é um organismo da Fundação das Artes — e também a 10ª Exposição de Carros Antigos, que foi surpreendente. Me emocionei. Mais de mil carros foram expostos, com grande circulação de pessoas. Tudo com a proposta de ocupar os parques com atividades infantis, música e food trucks. Para o aniversário, esperamos o mesmo sucesso da exposição, mas com a linguagem do samba. Além disso, teremos a tradicional missa e o corte do bolo de aniversário da cidade.

Como foi o trabalho conjunto entre secretarias para a organização da festa?

Estamos trabalhando a várias mãos desde o dia 1º de janeiro. Todas as secretarias têm sido grandes parceiras. A Secretaria de Serviços Urbanos é fundamental, ajudando com estrutura, parte elétrica e cuidados com os parques. A Superintendência do Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de São Caetano) colabora com a poda de árvores. A GCM (Guarda Civil Municipal) e a Secretaria de Segurança Pública garantem a segurança e nos dão suporte logístico. Há uma integração muito positiva, em que cada secretaria contribui com seu conhecimento para montarmos esse quebra-cabeça juntos.

No dia 19, foi ativado o Smart Sanca. Qual a expectativa para o uso desse serviço nas festividades?

É um sentimento de cidade mais segura. Como o prefeito disse no dia da entrega: “Bandido em São Caetano não tem vez.” Inclusive, no dia do lançamento do Smart Sanca, enquanto fazíamos uma atividade no Chico Mendes, uma pessoa foi identificada pelas câmeras e presa. Enquanto promovemos cultura, a segurança pública dá retaguarda de verdade.

O prefeito cancelou alguns shows, como os de Frejat, Mumuzinho e César Menotti & Fabiano, para destinar os recursos a outras áreas. Como a Secretaria recebeu essa decisão e como acredita que o público reagiu?

Optamos por abraçar uma demanda que já vinha dos próprios artistas da cidade: um olhar mais cuidadoso para o talento local. Abrimos um edital, divulgamos amplamente e montamos um calendário que abraça a cidade. As pessoas estão ocupando os parques e entendendo que estamos, sim, em clima de festa.

Qual é a importância de valorizar esses artistas, que muitas vezes não têm espaço?

Falo muito sobre construir política pública cultural com várias mãos. O olhar para o artista local é fundamental. Queremos dialogar, abrir espaço para que eles mostrem seus talentos. Estamos ampliando o leque, para que todos possam mostrar sua cara e seu trabalho.

Como os artistas foram escolhidos?

Temos uma equipe aqui na Secretaria responsável por elaborar os editais. A Pasta da Comunicação cuida da divulgação. Os artistas interessados se inscrevem, passam por avaliação de uma banca julgadora, recebem notas e, com base nisso, montamos a programação. Tivemos grande procura: jazz, samba, hip hop, rock. Porém, como tínhamos apenas três dias de evento, não dava para contemplar todas as linguagens com um só artista em cada. Então, focamos em rock, sertanejo e samba, além das atividades infantis.

Quanto São Caetano economizou ao priorizar artistas locais?

Com os três grandes shows previstos, gastaríamos R$ 755.000. Com o edital atual, o gasto é de R$ 56.080. Para isso, fizemos pesquisa de mercado e usamos como base valores de editais similares.

Nesta semana começa a 32ª Festa Italiana. Qual a participação da Secretaria de Cultura?

A festa mais tradicional da cidade tem um significado maravilhoso. A expectativa é levar o público novamente para as ruas e parques de forma vibrante. Nossa responsabilidade é com a parte artística. Montamos o palco e, via edital, levamos uma programação com intervenções culturais e apresentações no palco principal.

Qual o balanço da sua gestão até o momento?

Estou muito, muito feliz. Poder estar na rua, olhar nos olhos das pessoas, ouvir delas que gostam de ocupar os parques e vivenciar a cidade é gratificante. Fizemos isso com a Entoadinha Nordestina, com o Sertanejinho, sempre trazendo pautas novas e voltadas à ocupação dos espaços públicos, e acho que tem dado certo.

No início do mandato, a sra. mencionou uma parceria com Marília Marton, secretária estadual de Cultura. Como essa parceria tem funcionado?

A Marília, além de amiga, é uma inspiração profissional. Temos parceria por meio de projetos. Por exemplo, o teatro musical que recebemos veio por meio do governo estadual, com sessões gratuitas e casa cheia. Temos escrito projetos que eles avaliam e aprovam. Também está em andamento o CUT-SP Pro, curso profissionalizante que o Estado trouxe para São Caetano. São cursos como planejamento e gestão de acervos culturais, curadoria, pesquisa e produção de conteúdo para exposições. Na semana retrasada participei da abertura de duas turmas, com mais de 25 alunos em sala. É gratificante saber que o governo do Estado olha para São Caetano e isso nos motiva a buscar mais.

Qual é a sua expectativa para o restante do ano?

Sou sonhadora. Sou sagitariana, nasci de sete meses. Quero resolver tudo. Montamos uma equipe de fazedores de cultura, com muitas cabeças pensando juntas. Porém, sempre com esse olhar coletivo, de que a cidade pode mais, desde que a gente escute, converse com diferentes linguagens e abra oportunidades para todos.

Qual é o recado que a sra. deixa para a população de São Caetano neste aniversário, principalmente aos amantes e entusiastas da cultura?

Que as pessoas aproveitem as oportunidades que estão surgindo na área da cultura. Que participem, nos acompanhem pelas redes sociais. Temos feito um trabalho de divulgação muito legal para que todos fiquem por dentro do que a cidade tem a oferecer. É importante que continuem participando, nos acompanhando, prestigiando os eventos, e saibam que tudo o que fazemos e pensamos é para elas, para toda a população. Queremos abraçar as pessoas e levá-las para os parques, às praças, a fim de que sintam que a Secretaria de Cultura é também uma casa para elas. Um espaço para frequentar, tirar dúvidas, trazer opiniões e sugestões. Estamos sempre abertos ao diálogo.




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