
Em decorrência dos problemas de saúde – a última isquemia aconteceu em janeiro de 2000 –, a autora fala com muita dificuldade. Sua outra fonte de renda, a aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional de Securidade Social), rende-lhe cerca de R$ 700 por mês.
Segundo a assessoria de imprensa da Unicamp, houve o desligamento, e não a demissão de Hilda. Um levantamento realizado no ano passado apurou que um grupo de 125 funcionários, contratado em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), já havia solicitado aposentadoria ao INSS.
O desligamento, então, seria automático. A autora também teria caído em outro caso de desligamento compulsório pelo fato de ter completado 70 anos, em 21 de abril de 2000.
De acordo com o escritor Mora Fuentes, amigo de Hilda há mais de 30 anos, o montante que a autora tem a receber pelo FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) garante o sustento dela por quatro meses. Segundo Mora Fuentes a autora está em tratamento neurológico. “Ela está bem de saúde, mas se recuperando das seqüelas, ainda um pouco debilitada”, afirma.
Para o escritor e artista plástico J. Toledo, é “revoltante” a situação de uma artista como Hilda: “É uma velhinha que passou a vida a nos dar o belo para terminá-la de forma tão patética e cruel”. Para ele, a autora, “patrimônio cultural do Brasil” foi “abandonada pela cidade (Campinas), pela universidade (Unicamp) e pelo prazer de viver e criar, já que teve três isquemias”.
Mora Fuentes afirma ainda que há cinco anos a Unicamp comprou o arquivo pessoal de Hilda, com manuscritos, diários, obras de arte e fotografias. Para ele, portanto, o afastamento de Hilda da universidade “não faz sentido”: “Sobretudo quando há gente comparando Hilda a Guimarães Rosa”.
Hilda não escreve desde que publicou Estar Sendo. Ter Sido, em 1996. Mas isso é resultado de uma opção pessoal da autora. Para Mora Fuentes, ela parou de escrever porque já tinha feito do melhor jeito aquilo que sabia fazer.
A decisão, entretanto, não foi bem absorvida para os amigos mais íntimos. “Foi violento. Desde então ela não pegou mais nas canetas. Não escreve nem cartão de Natal”, lamenta Mora Fuentes.
De acordo com o escritor, o Programa Artista Residente, criado há aproximadamente 15 anos e desativado há cerca de quatro anos, tinha como objetivo fomentar discussões e estimular o surgimento de projetos na Unicamp.
Pessoas como o físico Mário Schemberg participaram do projeto. As reuniões eram abertas aos alunos da universidade. “Funcionava como um auditório de debates, abrindo espaço para o novo dentro da Unicamp”, diz Mora Fuentes. “Aos poucos a própria Unicamp parou de chamar as pessoas. Acho que a universidade foi perdendo o interesse pelo projeto”, afirma.
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