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Região tem superávit nas exportações para os Estados Unidos

Balança registrou saldo de US$ 150 mi em 2024, com US$ 750 mi enviados e US$ 600 mi em importações

Nilton Valentim
22/07/2025 | 08:32
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FOTO: Agência Brasil
FOTO: Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC obteve superávit comercial de US$ 150 milhões (R$ 828 milhões, na cotação de ontem) nas transações com os Estados Unidos em 2024. Foram exportados US$ 750 milhões (R$ 4,14 bilhões) e importados US$ 600 milhões (R$ 3,31 bilhões) no período. O total enviado ao país norte-americano representa 13,4% dos US$ 5 bilhões (R$ 27,6 bilhões) que a região destinou para todo o planeta no ano passado. Esses dados dão a dimensão de como a região pode ser afetada caso se confirme a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, conforme foi anunciado por Donald Trump. 

Do total enviado pela região aos Estados Unidos, US$ 600 milhões (R$ 3,31 bilhões), ou 78%, estão ligados à indústria metalúrgica. Os dados integram a nota técnica As ‘Tarifas Brasileiras’ de Trump: Possíveis impactos para o Grande ABC e a base do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgada ontem.

“Estamos diante de uma ofensiva externa que ameaça diretamente a nossa indústria, os empregos do nosso povo e a soberania nacional. A guerra comercial iniciada pelo governo Trump não pode ser enfrentada com omissão. O Grande ABC, berço da luta operária e da produção de alto valor agregado, está na linha de frente desses impactos. É inadmissível que medidas unilaterais tomadas lá fora ditem o futuro do nosso desenvolvimento”, alerta o presidente do SMABC, Moisés Selerges.

DGABC

São Bernardo, Ribeirão Pires e Diadema foram as responsáveis pelo superávit de 2024. Os demais municípios fecharam o ano com déficit (confira na arte).

As exportações de São Bernardo representaram 47,5% do total regional, com destaque para insumos industriais – principalmente produtos de cobre (barras, perfis, chapas, tubos), além de máquinas e aparelhos industriais. Ribeirão Pires respondeu por 21,3% e ocupa a segunda colocação devido à expressiva presença da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). Em 2024, a exportação de bombas, granadas e outras munições somou US$ 160 milhões. Em Diadema, predominam as exportações de máquinas e ferramentas, além de produtos de ferro e aço.

Em relação às importações do Grande ABC oriundas dos Estados Unidos, os produtos que lideraram em 2024 foram principalmente derivados de celulose, com destaque para Santo André – terceiro município que mais importa produtos norte-americanos na região (21,1%). O principal município importador foi São Bernardo do Campo (26,4%), com produtos ligados à indústria automotiva, seguido por Mauá (22,6%), que se destaca pelas aquisições da indústria química.

A nota também destaca a atuação do governo brasileiro, por meio do Comitê Interministerial de Contramedidas e da Lei de Reciprocidade Econômica, além da reivindicação de participação da classe trabalhadora nesses fóruns. “Defender a soberania é defender a capacidade do país de decidir seu próprio destino – e nós, trabalhadores, não vamos abrir mão disso”, diz Selerges.




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