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Enteado envenenado pode não ter sido 1ª vítima de padrasto

Admilson Ferreira dos Santos, 52, é suspeito de ter cometido crime similar em Minas Gerais contra familiar que ameaçava denunciá-lo por abusos

21/07/2025 | 21:10
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FOTO: Denis Maciel/André Henriques
FOTO: Denis Maciel/André Henriques Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O caso do jovem Lucas da Silva Santos, 19 anos, morto por envenenamento em São Bernardo, pode não ser o único envolvendo o principal suspeito do crime, o padrasto Admilson Ferreira dos Santos, 52. Segundo a titular do 8º DP (Distrito Policial) da cidade, delegada Liliane Doretto, uma denúncia anônima apontou que Admilson também teria matado um parente em Minas Gerais, com a mesma substância, para encobrir abusos sexuais.

“Há denúncias que ele matou um parente em Minas Gerais envenenado, supostamente porque essa pessoa tenha descoberto que ele abusava do Lucas e que na ocasião ele iria até a polícia. Sabendo que ele poderia denunciá-lo, ele teria envenenado. Isso é uma hipótese, uma denúncia anônima que recebemos”, afirmou a delegada.

A possível conexão entre os dois crimes foi repassada à Polícia Civil de Minas Gerais. “Os desdobramentos irão ser de titularidade da autoridade de Minas Gerais onde ocorreram os fatos. Aqui, pelo 8° DP, o que eu tenho agora, infelizmente, é o homicídio triplamente qualificado e consumado do Lucas”, acrescentou Liliane.

DGABC

Admilson foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, com base no artigo 121, parágrafo 2º, do Código Penal. De acordo com a polícia, o crime teve motivo torpe, por ser motivado por sentimentos de ciúmes, controle e rejeição, considerados moralmente desprezíveis; houve emprego de veneno, já que a substância tóxica foi misturada à comida ingerida pela vítima; e o autor se utilizou de recurso que dificultou a defesa de Lucas, pois o alimento foi servido de forma dissimulada, sem qualquer alerta ou ameaça, o que impossibilitou qualquer reação.

Confissão

Áudio obtido pelo Diário revela a confissão do próprio Admilson. No relato, ele afirma ter envenenado os bolinhos de mandioca com chumbinho, misturado previamente a um creme de leite, e pede a prisão da companheira e mãe da vítima, Rosemeire da Silva, 53 anos.

“Pedi para minha esposa comprar um chumbinho para mim. Ela foi em uma loja de Diadema e comprou por R$ 25. Comprei creme de leite e os bolinhos. Misturei o chumbinho no pote de creme de leite, mas não tudo, e coloquei nos bolinhos. Coloquei na minha boca, ‘cortou’, depois dei um pouco para o Lucas, um pouco para o Thiago (caçula da família), e para ela (Rosemeire). Mas foi ela quem comprou, quero ela presa também”, disse ele.

Exame Psicológico

A delegada solicitou um laudo psiquiátrico para avaliar se Rosemeire tinha capacidade de entender a gravidade da situação de abuso envolvendo os filhos. A avaliação busca apurar se ela falhou no dever legal de proteção, podendo ser responsabilizada como coautora, caso tenha se omitido de forma consciente.

“Ela vem de relacionamentos abusivos. Ela tinha conhecimento dos abusos cometidos por Admilson, porque certa vez, o próprio Admilson falou para ela que abusava de um dos filhos. Ela sabia que seus filhos passavam por alguma situação. Agora, até que ponto ela conseguia se indispor diante do caráter criminoso de um crime e denunciar? Eu não consigo avaliar sem um laudo psiquiátrico, pertinente”, explicou Doretto.

A delegada reforça a necessidade de compreender o papel de Rosemeire. “Todo pai e mãe, pela lei, é um garantidor. Quando ele deixa de proteger, passa a assumir a conduta criminosa realizada contra a sua prole, como se coautor fosse.”

Lucas será velado na manhã de terça-feira (22) e sepultado a tarde no Cemitério do Carminha, no bairro dos Casas,  em São Bernardo.




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