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‘Hoje temos livre demanda em raio x, mamografia e eletro’

21/07/2025 | 08:17
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FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados
FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Diadema conquistou no primeiro semestre deste ano avanços concretos na área da saúde, que tem à frente o secretário Antonio Carlos do Nascimento. O fim das macas nos corredores do HM (Hospital Municipal), graças à reorganização do fluxo de atendimento, troca de diretoria e acompanhamento dos pacientes em tempo real, foi uma das grandes conquistas da Pasta. Atualmente, está em construção um anexo que proporcionará a ampliação de 20 leitos para observação. Além disso, exames como mamografia, eletrocardiograma, raio-X e laboratoriais agora são realizados por livre demanda, sem necessidade de agendamento. A expectativa, agora, é para convênio com o Estado de R$ 2 milhões ao mês. 

RAIO X

Nome: Antonio Carlos do Nascimento

DGABC

Aniversário: 04/12/1963

Onde nasceu: Itanhaém, São Paulo

Onde mora: Perdizes, São Paulo

Formação: Médico formado pela Faculdade de Medicina de Campos, Residência em Clínica Médica pelo Hospital do Servidor Público Municipal, e Doutor em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da USP

Um lugar: Beaune, França 

Time do coração: Santos FC – ‘maior time do planeta’

Alguém que admira: Meu pai

Um livro: Leite Derramado, de Chico Buarque de Holanda

Uma música: Coração Selvagem, Antonio Carlos Belchior

Um filme: Cinema Paradiso, 1988, dirigido por Giuseppe Tornatore

O prefeito Taka Yamauchi (MDB) afirmou que a saúde seria a prioridade nos primeiros meses de governo. Qual balanço o sr. faz do primeiro semestre à frente da Pasta?

O primeiro apontamento é que otimizamos os fluxos do Hospital Municipal sob a ótica funcional. Tínhamos um hospital que rodava poucos leitos, como consequência, os pacientes ficavam acumulados nos corredores do PS (Pronto-Socorro). Falamos que desde 10 de janeiro os nossos olhos estão voltados para os corredores do PS, a fim de que não se tenha mais macas ali. Tanto que aqueles ganchinhos que existiam na parede (para colocação de soro) saíram no final de janeiro. Demos um choque de gestão tanto na administração do hospital quanto do pronto-socorro, que são duas coisas diferentes. Um equipamento de urgência e emergência ético sob a tutela da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) e o hospital sob nossa administração. Colocamos coordenador no hospital e, à época (que assumimos) trocamos a diretoria, Na verdade, o diretor iria se aposentar e trocamos por um de nossa escolha. Isso fez com que houvesse a desintoxicação do sistema, a ponto de trazer fluxo ao pronto-socorro. Com isso, aumentamos de três a quatro vezes a ocupação de leitos. Hoje o hospital tem vida e não temos pacientes nos corredores. Isso foi um avanço, que acompanhamos em tempo real. Por exemplo, se notamos aumento de pacientes em espera, automaticamente entramos com ação para resolver o problema. Agora, vamos ampliar mais 20 leitos. Uma obra, na verdade. O novo espaço para observação começou dia 26 de junho e nossa expectativa é entregá-lo em outubro. Ainda, dependendo do dia, da sazonalidade, pacientes ficam, eventualmente, em uma ala da ortopedia, que nada a ver com o corredor principal, mas é algo que vamos eliminar agora com essa ampliação. Por outro lado, também focamos na UPA Centro, que a população conhece como Quarteirão da Saúde. Encontramos a Observação 3, no terceiro andar, desativada, apesar de ter sido inaugurada na gestão anterior (de José de Filippi Junior - PT). Colocamos os equipamentos que faltavam, contratamos o RH (recursos humanos) e pusemos para funcionar em fevereiro. Isso também ajudou a desafogar o Hospital Municipal, com mais 15 novos leites na cidade.

A Secretaria de Saúde também se focou na demanda reprimida de exames e consultas. Quais os resultados dos mutirões?

Conquistamos livre demanda para mamografia, raio X, eletrocardiograma e exames clínicos nas UBS (Unidade Básicas de Saúde). Tínhamos 120 mil exames e consultas com especialistas represados. Tivemos de fazer forças-tarefas. Aliás, fazemos até hoje, para diminuir a distância entre a marcação e o exame. Conseguimos trazer para até um mês, dois meses no máximo. Para tomografia haviam quase 5.000 aguardando. Hoje temos 700. Ressalto que existiam 120 mil, fora outras guias que estavam represadas nas unidades e que precisavam ser inseridas no sistema. Então, chutamos mais umas 10 mil entre as 20 unidades de saúde. Conseguimos dobrar a capacidade de funcionamento do Quarteirão da Saúde durante a semana e abrimos aos sábados, Com isso deu uma boa desafogada. Em relação ao raio X, tinha um limite contratado e 7.000 parados. Se tenho 7.000 represados e 1.000 contratados, a conta não vai fechar nunca. Fora isso, raio x é solicitado toda hora. Ultrassonografia foi a mesma coisa. Dobramos a capacidade durante a semana. O que se faria em meio período de segunda a sexta-feira, passamos a fazer nos dois períodos e também abrimos aos sábados. Com isso, enxugamos a fila para um mês, dois no máximo. Mamografia também demos uma boa tacada nestes últimos meses. Hoje não temos fila de espera para mamografia. É livre demanda. Atualmente, por exemplo, se você passar em uma UBS e o médico pedir uma mamografia, não precisa mais agendar. Você pega o pedido, vai lá no Quarteirão da Saúde e faz (o exame). Isso de segunda a sexta, das 8h às 17 horas. Raio x, eletrocardiograma e exames laboratoriais não precisam mais de agendamento. Salvo engano, Diadema é a primeira (do Grande ABC) a ter mamografia por livre demanda. 

Da fila de espera que pegaram de 120 mil exames e consultas conseguiram reduzir para quanto, efetivamente? 

Equacionamos perto de 50% a 60% do que tínhamos. Claro que tem a dinâmica das novas marcações. Hoje temos em espera 57 mil, entre consultas, exames e procedimentos para serem realizados na cidade. Então, saímos de um cenário de mais 120 mil para 57 mil, fora o que entrou nos seis meses. Nesse sentido, cabe falar da perspectiva que temos em relação ao convênio com o Estado, algo que foi meio que prometido à voz aberta pelo (governador) Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Poderia explicar mais sobre esse convênio com o governo do Estado? 

Esse convênio nos permitirá receber R$ 2 milhões ao mês para darmos fluxo a pequenas e médias cirurgias. Vários cenários de especialidades, em especial urologia, que temos dificuldades, vamos poder ampliar. Essa é a nossa grande expectativa, porque, além de mantermos essa fila basal resolvida, criamos nova dinâmica para as demandas que são importantes e que não conseguimos ainda ampliar por falta de disponibilidade financeira mesmo. A ideia é que possamos aplicar esse recurso de R$ 2 milhões por mês no Quarteirão da Saúde.

Apesar dos avanços, quais os maiores gargalos ainda hoje na saúde? 

Na ortopedia temos uma fila bastante considerável hoje. Já existia, evidentemente, e é grande, e os procedimentos oftalmológicos. Dois setores que, por indisponibilidade financeira, não conseguimos atacar ainda. O prefeito bate bastante nessas demandas não solucionadas, além da neurologia. Porém, infelizmente, não conseguimos ainda ter um plano de ação por questão financeira mesmo. Não temos recursos na Pasta. A gestão passada tinha porta aberta no governo federal e fechavam a conta lá e vinham R$ 300 milhões ao ano, em média. Ainda não conseguimos criar esse link. Hoje projetamos algo em torno de R$ 100 milhões para Diadema. Então, sobrevivemos mesmo com o dinheiro de fonte 1, que o município arrecada, e emenda que deputados (federais e estaduais) mandam para a cidade. Porém, apesar disso, o prefeito pretende disponibilizar a fonte 1 para que possamos implementar um projeto, principalmente para a catarata. Temos hoje aproximadamente 1.400 pacientes na fila por atendimento na oftalmologia. Não é um número muito alto, mas o paciente precisa passar pelo oftalmologista para que seja indicada a cirurgia. Então, uma força-tarefa resolve muito bem isso (demanda), sem dificuldade nenhuma. Porém, não queremos fazer essa triagem e deixar o paciente esperando para fazer o procedimento. O nosso objetivo é que se passe pelo médico e já se tenha o próximo passo agendado. Com os pré-operatórios já montados. Esse vai ser o nosso próximo grande grande projeto.

Como está o andamento do novo Hospital Municipal. Já tem data para o projeto sair do papel? 

Não. Isso era um acordo, um projeto entre a gestão anterior e o governo federal que não foi traduzido, na extensão, para a nossa gestão. O governo federal prometeu, lá na cidade (em agenda), os cheques com o valor do hospital, como se o recurso já tivesse disponível na conta. Para nós seria ótimo, porque, de fato, o HM é uma estrutura antiga e nem sabemos qual a condição para que possa receber reformas, fazer retrofit. É possível? Não sabemos. Então, se o recurso chegar (para o novo hospital), vamos dar sequência ao projeto, com certeza. 

Entre as obras em andamento a da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) é uma das mais aguardadas. A construção, iniciada em 2023, estava projetada para ser entregue em novembro do ano passado.

Vai ser o nosso melhor e mais moderno equipamento. O projeto que desenharam (na gestão anterior) é bem interessante, mas fizemos algumas modificações porque, se não me engano, eram 17 leitos no total, sendo dez adultos – cinco masculinos, cinco femininos –, sete de pediatria e dois de isolamento. Com a modificação no projeto, ampliamos para 25 leitos. A parte de medicação era pequena pelo fluxo que vai ter aquela UPA. Então, também ampliamos. A estrutura foi bastante modificada. Uma revisão feita sob a ótica do prefeito (que atua no setor de obras). Acreditamos que até o fim do ano a nova UPA Paineiras seja inaugurada e poderemos fazer mais de 500 atendimento por dia tranquilamente. Vamos ter mais uma referência em pediatria, o que também vai diminuir a pressão sobre o Quarteirão da Saúde. Então, teremos duas duas referências boas: as UPAs Centro e Paineiras. Também temos a UPA Eldorado, para a qual estamos finalizando o desenho técnico de ampliação. Vamos subir um anexo para poder deixar a parte administrativa em cima e aí, toda aquela parte debaixo ficará para o operacional mesmo. Hoje é um PA pequeno e atende 500 pessoas por dia. Acabando esses projetos pretendemos dar ordem de início da UPA Piraporinha, próxima ao hospital, com três andares. Estamos aguardando o processo de licitação. É algo que devemos começar, no máximo, no começo de 2026 e até o fim do ano que vem vai estar pronto. Todas essas ações vão nos permitir fechar o HM. Evidentemente, não fechar o hospital, mas torná-lo referenciado e, aí sim, mudará tudo. Teremos as UPAs Paineiras, Centro e Piraporinha, três pronto-atendimentos com ótima capacidade instalada.




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