Setecidades Titulo De janeiro a maio

Roubos e furtos de celulares caem 11% no Grande ABC

Apesar da diminuição, região registra um caso a cada 35 minutos; criminosos usam aparelhos para acessar dados pessoais, diz advogado

20/07/2025 | 19:41
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Os roubos e furtos de celulares diminuíram 11% no Grande ABC em um ano. De janeiro a maio de 2025, as sete cidades contabilizaram 6.201 ocorrências, enquanto no mesmo período de 2024 foram 6.991, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). Apesar da diminuição no período, a região ainda registra um número alto, já que, em média, ocorre um caso a cada 35 minutos. 

Santo André lidera o ranking, com 2.245 roubos e furtos de celulares, seguida de São Bernardo (1.847), Diadema (976), Mauá (682), São Caetano (355), Ribeirão Pires (64) e Rio Grande da Serra (32). Em 62% das ocorrências a subtração se deu por roubo, crime que ocorre sob ameaça ou violência, e, em 38%, por furto. Samsung é a marca de celular mais subtraída, representando 31% dos casos. Apple e Motorola empatam com aproximadamente 25% das ocorrências cada. Os demais 19% são marcas diversas em menor porcentagem.

O aparelho é bastante visado por criminosos não somente por seu valor comercial, que se tornou quase irrelevante diante das tecnologias de rastreamento, bloqueio remoto e desvalorização do mercado paralelo. O verdadeiro interesse está no acesso aos dados pessoais armazenados no dispositivo, conforme explica o advogado especialista em direito digital, Walter Calza Neto. 

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“Com o celular em mãos, especialmente se estiver desbloqueado ou com biometria ativada, os criminosos podem acessar aplicativos bancários, realizar transferências via Pix, contratar empréstimos, alterar senhas e tomar o controle de contas de e-mail, redes sociais, carteiras digitais e outros serviços. Mesmo que o aparelho esteja bloqueado, ainda é possível interceptar mensagens de texto com códigos de verificação, clonar o chip para assumir a linha telefônica da vítima ou usar técnicas de engenharia social para enganar operadoras e instituições financeiras”, ressalta Neto, que também é especialista em proteção de dados, cibersegurança, e propriedade intelectual. 

A auxiliar de limpeza Stephanie Santana Conti, 34 anos, moradora do Parque das Nações, em Santo André, foi vítima de roubo, em fevereiro, quando, além de perder o um aparelho da Samsung, que havia comprado há apenas três meses, teve sua conta bancária invadida. “Estava no caminho de volta do trabalho para casa, em Bangu, eram 21h. Dois rapazes me abordaram, um deles disse que estava armado. Eu nem estava mexendo no celular, porque tenho medo de ser assaltada, mas eles levaram minha bolsa com tudo. Depois ainda descobri que pegaram R$ 600 da minha conta pelo aplicativo”, conta.

A advogada criminal Silvana Campos reforça que nem sempre estes indivíduos agem sozinhos e que, na maioria das vezes, os crimes contra o patrimônio podem ser cometidos por grupos criminosos. “As quadrilhas atuam de forma organizada, com divisão de tarefas entre os membros. Enquanto um criminoso é responsável por abordar a vítima, outros podem dar cobertura ou encaminhar os aparelhos roubados para receptadores. Quando agem sozinhos é, geralmente, para comprar ou pagar o consumo de drogas”, destaca.

Marcas

Há uma razão técnica e prática para que os celulares da Samsung sejam mais visados pelos criminosos, segundo Walter Calza Neto. “O Android (Samsung, Motorola e outros) é um sistema mais aberto, com mais liberdade para o usuário, o que é ótimo em termos de personalização, mas também abre mais portas para ataques. Diferente da Apple, que tem um número limitado de modelos e um controle rígido do sistema, o Android está presente em milhares de aparelhos diferentes, com níveis variados de proteção”, pontua o especialista em cibersegurança. 

O advogado ressalta ainda que os recursos de segurança, como o bloqueio de fábrica do Google, existem, mas dependem da configuração correta feita pelo usuário. “Já no caso do iPhone, o sistema iOS é mais fechado e vem com proteções ativadas por padrão, o que não significa que seja impossível burlar essas camadas de segurança”, explica.

Tecnologia como aliada para combater o crime 

Além das iniciativas citadas, a secretaria lançou um projeto-piloto, que está em fase de testes no Estado, para devolver os celulares subtraídos às vítimas. A iniciativa funciona a partir do cruzamento do número do Imei (Identificação Internacional de Equipamento Móvel) dos aparelhos furtados ou roubados com informações dos boletins de ocorrência. Com isso, segundo a SSP, é possível identificar os celulares que foram reativados por terceiros. 

Até o momento, o projeto foi realizado em apenas cinco delegacias da Região Metropolitana de São Paulo, sendo o 1° DP (Distrito Policial) de São Bernardo. Até o momento, a unidade são-bernardense enviou oito notificações às vítimas, das quais duas compareceram para retirar os aparelhos. Segundo a SSP, o projeto está em fase de expansão e será implementado integralmente para todo Estado até o final de 2025.

Samsung

A Samsung esclarece que a segurança é sua prioridade absoluta. Há anos, a empresa investe continuamente no desenvolvimento e no aprimoramento da plataforma de segurança Samsung Knox, criada para proteger a privacidade dos usuários em um cenário global de crescentes ameaças digitais. Os dispositivos da marca são projetados com segurança de nível avançado desde a placa-mãe, sendo protegidos pelo Knox desde o primeiro momento em que são ligados. A Samsung também oferece funcionalidades e serviços para o consumidor, como o Cadeado Galaxy, uma solução permite bloquear o dispositivo remotamente, protegendo dados e impedindo o uso indevido de aplicativos e informações pessoais. Esse conjunto de iniciativas garante uma experiência segura e confiável para milhões de consumidores.





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