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Brasil envia carta aos EUA contra tarifaço e cobra solução

Em resposta, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviaram nessa terça-feira (15) uma carta conjunta às autoridades comerciais dos EUA

16/07/2025 | 12:28
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FOTO: Cadu Gomes/VPR/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O governo brasileiro manifestou oficialmente sua insatisfação com a imposição de tarifas de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, anunciada no último dia 9 de julho pelo governo norte-americano. Em resposta, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviaram nessa terça-feira (15) uma carta conjunta às autoridades comerciais dos EUA, cobrando diálogo e pedindo a revisão da medida.

O documento, endereçado ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer, expressa “indignação” com a medida, que entrará em vigor a partir de 1º de agosto e, segundo o Brasil, ameaça setores estratégicos das duas economias e fragiliza uma parceria histórica.

Na carta, o governo brasileiro destaca que, mesmo antes da retaliação tarifária adotada em 2 de abril, vinha mantendo conversas de boa-fé com Washington para reequilibrar o comércio bilateral. “O Brasil acumula, nos últimos 15 anos, déficits comerciais com os Estados Unidos da ordem de US$ 410 bilhões, entre bens e serviços”, pontua o texto, com base em dados do próprio governo norte-americano.

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Em 16 de maio, o Brasil apresentou uma proposta confidencial aos EUA com sugestões de áreas prioritárias para negociação, mas, segundo o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, ainda não houve retorno.

“À luz da urgência do tema”, diz a carta, o Brasil reitera o pedido de resposta e reafirma disposição para buscar uma “solução mutuamente aceitável” que evite danos maiores ao fluxo comercial entre os países.

O impasse acontece em meio à crescente tensão comercial entre Washington e seus principais parceiros, e preocupa setores da indústria brasileira, especialmente os exportadores de aço, celulose, carne e produtos industrializados, que podem ser os mais impactados pela nova tarifa.

Confira os termos:

"1. O Governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto. A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países. Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas.

2 . Desde antes do anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril de 2025, e de maneira contínua desde então, o Brasil tem dialogado de boa-fé com as autoridades norte-americanas em busca de alternativas para aprimorar o comércio bilateral, apesar de o Brasil acumular com os Estados Unidos grandes déficits comerciais tanto em bens quanto em serviços, que montam, nos últimos 15 anos, a quase US$ 410 bilhões, segundo dados do governo dos Estados Unidos. Para fazer avançar essas negociações, o Brasil solicitou, em diversas ocasiões, que os EUA identificassem áreas específicas de preocupação para o governo norte-americano.

3. Com esse mesmo espírito, o Governo brasileiro apresentou, em 16 de maio de 2025, minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação nas quais poderíamos explorar mais a fundo soluções mutuamente acordadas.

4. O Governo brasileiro ainda aguarda a resposta dos EUA à sua proposta.

5. Com base nessas considerações e à luz da urgência do tema, o Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos EUA sobre a proposta brasileira. O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral."




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