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As quadrilhas que atuam nas estradas brasileiras adotaram nova tática: menos ataques, mais prejuízos. Dados da NTC&Logística, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, mostram que, de 2017 a 2024, o número de roubos de cargas caiu quase 60%, passando de 25.950 para 10.478 casos. Apesar da queda, o prejuízo médio por ocorrência subiu de R$ 60 mil para mais de R$ 116 mil – alta de 93%.
O foco agora está em cargas de alto valor e rotas vulneráveis. A lógica mudou: em vez de quantidade, alvos mais valiosos. Isso exige resposta à altura. Das autoridades e do setor logístico.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) é exemplo de atuação estratégica. Só em 2024, apreendeu mais de 800 toneladas de maconha, 860 mil comprimidos de anfetamina, 1.648 armas de fogo e recuperou mais de 8 mil veículos. Ao atacar o crime organizado como um todo, enfraquece também o roubo de cargas, o que é louvável.
A atuação da PRF em corredores estratégicos do transporte rodoviário é um modelo de eficiência a ser replicado. Ainda que seu foco único não seja o roubo de cargas, suas ações resultam em desmobilização de quadrilhas, quebra de cadeias logísticas ilícitas e aumento da sensação de risco para os criminosos.
O novo problema é que a presença ostensiva e a inteligência policial vêm deslocando o crime para outras regiões. O Sudeste ainda lidera em número de casos, mas perdeu participação no bolo das receitas criminosas. Norte e Centro-Oeste, embora com menos ocorrências, passaram a registrar prejuízos médios acima de R$ 300 mil por roubo – indício de migração criminosa para áreas menos vigiadas e mais lucrativas.
Esse novo cenário impõe ao Estado e ao setor privado ações coordenadas, como o fortalecimento de tecnologias embarcadas nos veículos – rastreamento inteligente e bloqueio remoto, por exemplo. O Sindicato Nacional dos Cegonheiros e seus associados já vêm investindo nisso no transporte de veículos realizados por nossos caminhões-cegonha.
Mas talvez a principal medida seja estruturar um programa nacional de inteligência logística, integrando dados de empresas, seguradoras, agências públicas e polícias. Só com parcerias robustas será possível antecipar os movimentos do crime e desmontar suas redes.
O desafio não é apenas evitar o próximo roubo – é desestruturar toda uma lógica criminosa que se reorganiza em tempo real. E, para isso, é preciso estar um passo à frente.
José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, é presidente do Sinaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros)
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