Comércio Vendas do setor na região somaram R$ 6,26 bilhões, com crescimento real de 7,4% em relação ao apurado no mesmo mês do ano passado
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Em um ambiente parcialmente favorável, com desemprego baixo e renda crescente, mas juros altos, o faturamento do varejo do Grande ABC alcançou em abril o maior resultado para o mês desde 2008, segundo pesquisa da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). As vendas do setor nas sete cidades somaram R$ 6,26 bilhões, com crescimento real de 7,4% em relação ao apurado no mesmo mês do ano passado (R$ 5,83 bilhões).
Trata-se do melhor desempenho do varejo na região para o mês desde o início da série histórica da PCCV (Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista), que é realizada pela FecomercioSP há 17 anos. Ainda segundo a entidade, o setor acumula crescimento de 7,7% nas vendas no acumulado de janeiro a abril ante o primeiro quadrimestre de 2024 e de 9,1% em 12 meses.
Em abril, o Grande ABC respondeu por 5% do faturamento do varejo paulista, estimado pela FecomercioSP em R$ 125,61 bilhões. No Estado houve crescimento real de 9,8% em comparação ao mesmo mês de 2024 e também o melhor resultado para o mês da série histórica do levantamento.
A entidade credita o resultado de abril ao mercado de trabalho aquecido e ao crescimento da renda. Porém, alerta para fatores de risco, como juros elevados, custos operacionais crescentes e incertezas fiscais, que podem limitar o ritmo de expansão do consumo nos próximos meses.
A FecomercioSP explica ainda que parte do resultado do primeiro quadrimestre pode ser atribuído à inflação, que encareceu muitos produtos ofertados pelos varejistas sem contrapartidas às margens de lucro. Nos 12 meses encerrados em junho, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do País, acumula alta de 5,35%, acima do teto da meta (4,5%).
ATIVIDADES
Das nove atividades analisadas pela FecomercioSP, oito registraram crescimento nas vendas na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês de 2024 (veja tabela) no Grande ABC. Destacaram-se as lojas de vestuário, tecido e calçados, com expansão de 14,2% e vendas de R$ 370 milhões, impulsionada pela aproximação do inverno; e os supermercados, com alta de 12,6% e faturamento de R$ 2,34 bilhões, favorecidos pela Páscoa.
O setor de vestuário também é o que registra o melhor desempenho no primeiro quadrimestre (crescimento de 21,5%). Na avaliação da entidade, o segmento parece ter retomado o vigor perdido desde a pandemia da Covid-19. Na sequência aparecem as lojas de autopeças (17,4%), concessionárias de veículos (13,7%) e farmácias e perfumarias (11,7%).
Os dados de maio devem manter a tendência de bons resultados devido às vendas do Dia das Mães, mas a FecomercioSP alerta para a possibilidade de desaceleração do consumo no Estado nos próximos meses, principalmente porque muitos segmentos são suscetíveis ao ritmo da concessão de crédito, especialmente os de móveis, eletroeletrônicos e veículos. “Se os juros permanecerem elevados (a taxa Selic atualmente está em 15% ao ano), a tendência é de queda brusca nesse ritmo já nos próximos trimestres. Isso sem contar a inflação, que segue elevada mesmo com o ciclo de alta da taxa básica”, diz a entidade.
METODOLOGIA
A PCCV baseia-se em dados da Sefaz-SP (Secretaria Estadual da Fazenda) e considera as empresas enquadradas no código CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) como varejo.
LEIA TAMBÉM
Veja os principais produtos afetados pelas tarifas de Trump em cada país
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.