Editorial A agressão recente a médica em São Bernardo expõe mais uma vez o risco enfrentado por trabalhadores da saúde. Ao negar atestado sem justificativa clínica, a profissional foi atacada fisicamente por uma paciente, situação que exigiu a intervenção da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar. Apesar da existência de botões de emergência nas UPAs do município, a ocorrência demonstra que medidas pontuais não têm sido suficientes para impedir episódios semelhantes, que se repetem com frequência alarmante no Grande ABC. A resposta das autoridades, embora necessária, ainda está limitada ao campo reativo. É preciso ir além da condenação dos fatos e do apoio individual às vítimas.
Dados nacionais revelam mais de 4.500 agressões contra operários do setor em 2024, evidência de que o problema é mais amplo do que aparenta. Profissionais são atacados mesmo quando não há qualquer indício de erro ou negligência no atendimento, o que indica falhas no preparo do sistema para garantir ambientes seguros. O fortalecimento da segurança física das unidades deve ser acompanhado da criação de normas específicas que assegurem proteção legal aos médicos. A proposta de delegacias especializadas é avanço, mas será ineficaz se não vier acompanhada de marco legal que trate esses ataques como crimes com penas compatíveis, passo importante para desestimular agressões.
Além da segurança física e jurídica, a proteção mental desses trabalhadores deve ser levada em conta. A exposição contínua a episódios de violência pode causar traumas que resultam em afastamentos e em danos persistentes à saúde emocional. Um sistema que desconsidera o bem-estar de quem o mantém em funcionamento compromete sua capacidade de resposta e afasta profissionais da linha de frente. Cabe aos gestores instituírem ações permanentes de acompanhamento psicológico, não apenas como recurso emergencial, mas como parte do cotidiano das equipes. O País precisa tratar a violência nas unidades de saúde como um tema urgente e não como exceção. Chega de covardia.
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