Eleições 2026 Deputado federal confia na reeleição do presidente no próximo ano, mas diz que a esquerda tem de voltar às ruas e ao ‘pé no barro’
Celso Luiz/DGABC

O deputado federal Guilherme Boulos (Psol) esteve ontem no Grande ABC como parte de jornada que tem feito pelas cidades, a qual vai chegar a 15 Estados, para organizar um contra-ataque às ações da extrema direita, que tem dominado as mídias sociais e acabou por colocar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “nas cordas nos últimos dois anos”.
“A extrema direita soube se apropriar da batalha digital com mais eficiência e rapidez do que a esquerda. Essa é uma constatação. Por uma questão de método e, lógico, porque não têm pudores, inventam qualquer disparate absurdo, botam fake news e fazem isso com a cara mais lavada do mundo. Tem também a unidade narrativa e saber como funciona o algoritmo das redes. Estivemos (esquerda) mais atrasados nesse debate e isso fez com que não só o governo Lula, mas todos os governos progressistas no âmbito de comunicação política ficassem nas cordas no mundo todo.”
Porém, Boulos afirmou que esse cenário está mudando. “A esquerda começou a sair da defensiva e a fazer um contra-ataque digital e, por isso, decidi fazer um giro pelo Brasil”, destacou em visita ao Diário, ontem.
O deputado federal está confiante na vitória do presidente nas eleições do próximo ano. Disse ainda que, embora com uma avaliação de governo mais baixa do que nas gestões anteriores, Lula ganha de qualquer candidato no pleito de 2026. Entretanto, afirmou que a esquerda tem dois grandes desafios: o primeiro, construir uma unidade narrativa entre referências partidárias, lideranças, militantes e influenciadores do campo progressista.
“O segundo desafio é a política pé no barro. Aquela das antigas que o Grande ABC, inclusive, ajudou a consagrar para o Brasil inteiro, por meio do Sindicato dos Metalúrgicos, do próprio Lula, das comunidades sindicais de base. Esse é o trabalho de base, de ir lá e conversar com as pessoas. Não pode ser só em tempo de eleição. Do contrário, viramos o político tradicional, que aparece de quatro em quatro anos vendendo sorriso e promessa”, pontuou.
O deputado também saiu em defesa do governo Lula em relação à baixa aprovação, afirmando que a comparação é feita entre suas gestões e não com seu sucessor, por exemplo. “Nos governos Lula 1 e 2 você não tinha no Brasil uma extrema direita organizada, montando a opinião social. nem R$ 60 bilhões de orçamento sequestrado para pagar emenda parlamentar e limitando a margem de ação do governo. Agora, quando as pessoas vão fazer a comparação real de projetos para a sociedade é Lula ou bolsonarismo? As pessoas votam por Lula”, disse.
INVASÃO AO ITAÚ
Em entrevista ao Diário, Boulos rechaçou a comparação entre a invasão por movimentos de esquerda à sede do Banco Itaú na quinta-feira (3), em São Paulo, aos ataques de 8 de janeiro de 2023 aos três Poderes, em Brasília.
“As pessoas podem concordar ou discordar do método do movimento. Tudo isso é legítimo em uma democracia. Agora, o que não se pode é distorcer e falar mentira. Fazer comparação entre uma manifestação do movimento social com 8 de janeiro, com depredação da sede dos três Poderes, com acampamento em frente de quartel para pedir golpe militar no Brasil. Isso é um disparate, um despropósito. Não se quebrou um cinzeiro. Nenhuma pessoa foi agredida ou tocada. Um grupo de pessoas do movimento social entrou no saguão, fez um protesto e saiu”, afirmou.
Uma nova manifestação está marcada para quinta-feira (10), na Avenida Paulista, a partir das 18 horas.
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