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Mania, hábito, costume

Marli Gonçalves
jornalista
06/07/2025 | 11:08
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 Semana passada escrevi sobre a minha quase mania, como considerei, de contar coisas diversas nas ruas, mas apenas por pura distração. Muitos leitores se divertiram e acabaram me revelando algumas das suas particulares manias. Ou seriam hábitos? Costumes? Tudo se funde e se confunde, enfim.

Falo mania, mas sei que quando tratadas na área de saúde mental podem ser sérias, transtornos, como quem tem a de limpeza, roer unhas ou até mais graves como cleptomania. Podem trazer sofrimento. A diferença entre hábitos e manias é a frequência, intensidade e impacto na vida de cada um. Hábitos seriam ações repetitivas e regulares, enquanto manias seriam os comportamentos repetitivos, mas alguns incomuns, questões emocionais. 

Declaro, antes de mais nada, que nem tenho tempo de sair contando muitas coisas por aí. Já temos tantas atividades obrigatórias e aborrecimentos que tentar coisas bobas para distração é até saudável. Exercício mental individual nesse que considero o templo da liberdade, o pensamento. O nosso silencioso e inexpugnável pensamento onde, se houver censura, somos nós mesmo que as fazemos quando eles, os pensamentos, são mais, digamos, fortes.

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Problema mesmo é quando pensamos uma coisa, mas temos de nos calar ou dizer outra, dependendo da situação, seja para nos resguardar, por segurança, evitar embates ou mesmo preguiça de revidar. Exercício de uma capacidade teatral, para quem me conhece e sabe que expresso emoção no rosto claramente, não mover um músculo principalmente quando me tiram de inexperiente ou mesmo desinformada, chega a ser sacrifício. Apelo para o lado atriz. Por exemplo – e não faltam exemplos – quando ouço o irresponsável discurso antivacinas.

Lembrando dos leitores que me contaram seus particulares hábitos legais, penso como andam as relações e entendimentos pessoais, como mantém inclusive os seus casamentos. Às vezes admito que me sinto meio incapaz de construir novas convivências íntimas, que significariam mudanças em hábitos (ou seriam costumes? manias?), alguns até bem bobos. Reparei agora durante esse frio forte que atingiu São Paulo a deselegância da roupa que amo ficar em casa, que autodenomino vestida de monstrinho: roupas mais velhas e confortáveis, uma peça grita e a outra não escuta, Glorinha Kalil ficaria horrorizada, lúmpen.

Tudo isso só porque acordei hoje bem feliz no meu ninho. A cama totalmente desarrumada, quentinha, enroscada no edredom, a gata roncando aos meus pés. Isso é felicidade. Sei – e até já vivi ao lado – com quem não consegue nem deitar se o lençol não estiver esticado, preso ao pé da cama. E quem deita e acorda na mesma posição, realmente notável.

Cada qual com sua mania, hábito, costume. Isso é liberdade e poder.

Marli Gonçalves é jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano. 




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